Malária por Plasmodium vivax: Tratamento Essencial

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

João, 10 anos, mora em Careiro Castanho e está há 12 dias com febre. Refere também, cefaleia, mialgia e dores abdominais. Previamente hígido sem histórico de doenças agudas ou crônicas. Fez exame de gota espessa que revelou diagnóstico de Plasmodium vivax 2+. Qual a melhor conduta neste caso, considerando que a criança apresenta G6PD normal:

Alternativas

  1. A) Cloroquina por 3 dias e Primaquina por 7 dias.
  2. B) Cloroquina por 3 dias e Tafenoquina dose única.
  3. C) Artemeter + lumefantrina por 3 dias e Primaquina dose única.
  4. D) Artemeter + lumefantrina por 3 dias e Primaquina por 14 dias.

Pérola Clínica

Malária por P. vivax (G6PD normal) → Cloroquina (3 dias) + Primaquina (7 dias) para erradicar hipnozoítos e prevenir recaídas.

Resumo-Chave

O tratamento da malária por Plasmodium vivax em pacientes com G6PD normal envolve dois medicamentos: cloroquina para eliminar os parasitas sanguíneos (esquizonticida) e primaquina para erradicar as formas hepáticas latentes (hipnozoítos), prevenindo recaídas. A duração da primaquina é crucial e deve ser ajustada à condição do paciente e às diretrizes locais.

Contexto Educacional

A malária por Plasmodium vivax é uma doença infecciosa comum em regiões tropicais e subtropicais, incluindo o Brasil, especialmente na região amazônica. Caracteriza-se por febre, cefaleia, mialgia e outros sintomas inespecíficos. O diagnóstico é feito pela gota espessa ou esfregaço sanguíneo. A particularidade do P. vivax é a presença de hipnozoítos no fígado, que podem permanecer dormentes e causar recaídas da doença meses ou anos após a infecção inicial, mesmo após o tratamento da fase aguda. O tratamento da malária por P. vivax em pacientes com atividade normal da G6PD (Glicose-6-Fosfato Desidrogenase) é bifásico. A primeira etapa consiste na administração de um esquizonticida sanguíneo, como a cloroquina, por 3 dias, para eliminar os parasitas presentes nos glóbulos vermelhos e resolver os sintomas agudos. A segunda etapa, e crucial para a cura radical, é a administração de um hipnozoiticida, a primaquina, por 7 dias (ou 14 dias, dependendo do protocolo local e da cepa do parasita), para erradicar as formas hepáticas latentes e prevenir recaídas. É imperativo que, antes de iniciar a primaquina, seja realizada a triagem para deficiência de G6PD, pois a primaquina pode induzir hemólise grave em indivíduos deficientes. Em casos de deficiência de G6PD, o esquema de primaquina deve ser modificado (doses semanais por mais tempo) ou outras opções consideradas. A adesão completa ao tratamento, especialmente à primaquina, é fundamental para o sucesso terapêutico e o controle da transmissão da doença.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da primaquina no tratamento da malária por Plasmodium vivax?

A primaquina é fundamental no tratamento da malária por Plasmodium vivax porque atua contra os hipnozoítos, que são formas latentes do parasita que permanecem no fígado após a infecção inicial. A erradicação dos hipnozoítos é essencial para prevenir as recaídas da doença, que são comuns no P. vivax.

Por que é necessário verificar a atividade da G6PD antes de iniciar a primaquina?

É crucial verificar a atividade da G6PD (Glicose-6-Fosfato Desidrogenase) antes de administrar primaquina porque este medicamento pode induzir hemólise grave em indivíduos com deficiência dessa enzima. A G6PD é importante para proteger os glóbulos vermelhos do estresse oxidativo, e a primaquina é um agente oxidante.

Qual a diferença entre o tratamento de Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum?

O tratamento de Plasmodium vivax geralmente envolve cloroquina para a fase sanguínea e primaquina para erradicar os hipnozoítos hepáticos. Já para Plasmodium falciparum, devido à resistência generalizada à cloroquina, o tratamento de primeira linha é com artemisinina combinada (ACT), e a primaquina é usada em dose única para bloquear a transmissão, não para erradicar formas hepáticas latentes (que não existem no P. falciparum).

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