ITU Febril em Lactente: Manejo de Klebsiella ESBL

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

Lactente de sete meses, sexo feminino, é trazida ao atendimento pela mãe com queixa de "urina escura, com odor fétido", irritabilidade ao urinar, febre alta (>39,5°C). Foi realizado exame de urina rotina com achado de nitrito positivo e no sedimento apresentava numerosos leucócitos e flora aumentada . No Gram de gota de urina foram vistos numerosos (bastonetes Gram negativos e leucócitos Nesse momento, foi iniciado tratamento com amoxicilina por via oral e orientado a retomar um 48 horas. No retorno, mãe relatou que houve pior do quadro, estando a criança muito prostrada, mantendo febre e com muita dificuldade para urinar. Na urocultura foi detectado crescimento de Klebsiella pneumoniae ESBL (produtora de beta-lactamase de espectro ampliado) O tratamento MAIS INDICADO para esse quadro, no momento, é:

Alternativas

  1. A) Iniciar amoxicilina-clavulanato via oral e orientar cuidados domiciliares com novo retorno em 24h
  2. B) Iniciar ceftriaxona intramuscular e orientar retornos diários à unidade de pronto atendimento para aplicação de medicação
  3. C) Iniciar ciprofloxacino via oral e encaminhar para internação em unidade pediátrica para monitorização
  4. D) Iniciar meropenem endovenoso e internar a criança em unidade pediátrica para monitorização

Pérola Clínica

ITU febril em lactente com Klebsiella ESBL e piora clínica → Meropenem EV e internação.

Resumo-Chave

Diante de uma infecção do trato urinário febril em lactente, com piora clínica após tratamento inicial e urocultura revelando Klebsiella pneumoniae ESBL, a escolha é um carbapenêmico como o meropenem por via endovenosa, com internação para monitorização e suporte.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) febril em lactentes é uma condição séria que pode levar a cicatrizes renais e doença renal crônica se não for tratada adequadamente. A apresentação clínica pode ser inespecífica, com febre, irritabilidade e prostração. O diagnóstico é confirmado por urocultura, e o tratamento empírico inicial geralmente visa cobrir os patógenos mais comuns, como E. coli. No caso apresentado, a falha terapêutica com amoxicilina e a identificação de Klebsiella pneumoniae ESBL (produtora de beta-lactamase de espectro ampliado) indicam um cenário de resistência antimicrobiana. Bactérias ESBL são resistentes a muitas classes de antibióticos, incluindo penicilinas e cefalosporinas de terceira geração, o que exige uma mudança na estratégia terapêutica. Diante da piora clínica e da identificação de um patógeno multirresistente, a conduta mais apropriada é a internação hospitalar para monitorização e início de antibioticoterapia endovenosa com um carbapenêmico, como o meropenem. Os carbapenêmicos são a classe de escolha para infecções graves por ESBL. A internação permite a administração segura do medicamento, monitoramento de resposta e investigação de possíveis complicações ou anomalias do trato urinário.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de ITU febril grave em lactentes?

Sinais de ITU febril grave em lactentes incluem febre alta persistente, prostração, irritabilidade, dificuldade para urinar, e em casos mais avançados, sinais de sepse como taquicardia e má perfusão.

Qual a importância da Klebsiella pneumoniae ESBL em infecções urinárias pediátricas?

A Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL indica resistência a beta-lactâmicos de amplo espectro, como cefalosporinas de 3ª geração, exigindo o uso de antibióticos mais potentes como os carbapenêmicos para tratamento eficaz.

Quando um lactente com ITU febril deve ser internado?

Um lactente com ITU febril deve ser internado se houver sinais de gravidade, falha do tratamento ambulatorial inicial, idade inferior a 3 meses, ou identificação de patógenos multirresistentes que exigem antibioticoterapia endovenosa e monitorização.

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