SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2022
Homem, 36 anos, em tratamento por insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 27%, está em uso de Losartana 50mg de 12/12 horas, Carvedilol 25mg de 12/12h, Espironolactona 25mg e Furosemida 40mg duas vezes ao dia. Relata história de internamentos recorrentes por descompensação da doença nos últimos 6 meses e hoje procura atendimento por quadro de dispneia aos pequenos esforços, ortopneia e edema de membros inferiores. Dados vitais: pressão arterial 116x82mmHg, frequência cardíaca 94bpm, SpO2 96% em ar ambiente. Ao exame, apresenta crepitantes na ausculta pulmonar até 1/3 médio, edema de membros inferiores de 3+/4+ e jugulares ingurgitadas. Após compensação clínica no paciente, quais as melhores opções terapêuticas nesse momento para o paciente: I. Trocar Losartana por sacubitril-valsartana e titular a dose até a dose alvo ou a máxima dose tolerada pelo paciente.II. Associar um inibidor de SGLT2 (Empaglifozina ou Dapaglifozina).III. Uma vez que o paciente não é diabético, não é possível utilizar os inibidores de SGLT2, ficando poucas opções terapêuticas além do transplante.IV. Associar digoxina ao arsenal terapêutico, como medida imediata, por se tratar de uma medicação de primeira linha de tratamento da insuficiência cardíaca.Estão CORRETAS as seguintes afirmações:
ICFEr: Otimizar terapia com ARNI e iSGLT2, mesmo sem diabetes, para melhorar prognóstico.
Em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) e sintomas persistentes, a otimização da terapia medicamentosa é crucial. Isso inclui a substituição de um BRA por sacubitril-valsartana e a adição de um inibidor de SGLT2, independentemente da presença de diabetes, conforme as diretrizes atuais.
A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr) é uma síndrome clínica complexa e progressiva, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo. Apesar dos avanços terapêuticos, a morbimortalidade permanece elevada, e a otimização do tratamento é um pilar fundamental para melhorar o prognóstico dos pacientes. As diretrizes atuais de tratamento da ICFEr preconizam uma terapia quádrupla, que inclui um inibidor do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA/BRA ou, preferencialmente, sacubitril-valsartana), um betabloqueador, um antagonista do receptor de mineralocorticoide (ARM) e, mais recentemente, um inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2). A introdução e titulação dessas classes de medicamentos devem ser feitas de forma sequencial e individualizada, visando atingir as doses-alvo toleradas. No caso apresentado, o paciente já utiliza um BRA (Losartana), um betabloqueador (Carvedilol) e um ARM (Espironolactona), além de um diurético de alça (Furosemida) para controle de sintomas. As próximas etapas para otimização da terapia, conforme as evidências mais recentes, incluem a substituição do BRA por sacubitril-valsartana e a adição de um iSGLT2 (dapagliflozina ou empagliflozina), que comprovadamente reduzem hospitalizações e mortalidade em pacientes com ICFEr, independentemente da presença de diabetes. A digoxina, por sua vez, tem um papel mais limitado, principalmente no controle de sintomas em pacientes refratários ou com fibrilação atrial, e não é considerada terapia de primeira linha para a ICFEr.
O sacubitril-valsartana (ARNI) demonstrou ser superior aos inibidores da ECA/BRA na redução de morbimortalidade em pacientes com ICFEr, ao combinar a inibição da neprilisina com o bloqueio do receptor de angiotensina, otimizando a neuro-hormonal e melhorando o prognóstico.
Sim, os inibidores de SGLT2 (dapagliflozina e empagliflozina) são fortemente recomendados para pacientes com ICFEr, independentemente da presença de diabetes. Estudos mostraram que eles reduzem hospitalizações por IC e mortalidade cardiovascular em uma ampla gama de pacientes com ICFEr.
A digoxina não é uma medicação de primeira linha para o tratamento da ICFEr. Seu uso é reservado para pacientes sintomáticos apesar da terapia otimizada, principalmente para controle de frequência em FA ou para alívio de sintomas em pacientes selecionados, mas não demonstrou benefício na mortalidade.
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