SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Gestante, 30 anos de idade, com idade gestacional de 14 semanas, primigesta, sem comorbidades, iniciou, há 40 horas, tosse esporádica, dor de garganta, coriza e ageusia. Nega febre ou dispneia.Com base nesse quadro clínico, indique a prescrição farmacológica adequada para essa paciente:
Gestante com síndrome gripal → Iniciar Oseltamivir 75mg 12/12h por 5 dias (independente da gravidade).
Gestantes são grupo de risco para complicações por Influenza; o tratamento com Oseltamivir deve ser iniciado precocemente, idealmente em até 48h do início dos sintomas.
A síndrome gripal na gestante é caracterizada por febre (nem sempre presente), tosse, dor de garganta e outros sintomas respiratórios. Devido à alta morbimortalidade observada em pandemias anteriores (como a H1N1), o protocolo de manejo clínico estabelece o uso de inibidores da neuraminidase (Oseltamivir) como padrão ouro. A dose recomendada é de 75 mg via oral, duas vezes ao dia, por cinco dias. Além do tratamento antiviral, deve-se monitorar sinais de alerta para SRAG, como dispneia, queda da saturação de oxigênio e hipotensão, que exigiriam internação hospitalar e suporte intensivo.
Gestantes apresentam um risco significativamente maior de complicações graves, hospitalização e morte por Influenza devido às alterações fisiológicas da gravidez (imunológicas, respiratórias e hemodinâmicas). O Ministério da Saúde e órgãos internacionais recomendam o tratamento empírico com Oseltamivir para todas as gestantes e puérperas (até 2 semanas pós-parto) que apresentem síndrome gripal, independentemente da presença de fatores de risco adicionais ou da gravidade inicial do quadro.
O benefício máximo do antiviral ocorre quando iniciado nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. No entanto, mesmo após esse período, o tratamento ainda é indicado para gestantes, pois pode reduzir a duração da excreção viral e o risco de progressão para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Não se deve aguardar resultados de exames laboratoriais (como RT-PCR para Influenza) para iniciar a terapia.
O Oseltamivir é classificado como categoria C de risco na gestação, mas os benefícios do tratamento superam amplamente os riscos potenciais. Estudos epidemiológicos não demonstraram aumento de malformações congênitas ou desfechos adversos relacionados ao uso da droga em qualquer trimestre. Portanto, a gestação, em qualquer idade gestacional, é uma indicação formal para o tratamento imediato da síndrome gripal com o antiviral.
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