ILTB e HIV: Interações da Rifampicina com Antirretrovirais

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2020

Enunciado

Sobre as recomendações de tratamento da Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) no Brasil, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A)  No esquema de tratamento com rifampicina é adotada a dose de 10 mg/kg de pesoaté a dose máxima de 300 mg por dia.
  2. B)  O esquema com rifampicina é a primeira escolha em indivíduos com mais de 50 anos,em pessoas com nefropatias, em contatos de pacientes com monorresistência ou intolerância à isoniazida, e crianças menores de 10 anos.
  3. C)  A rifampicina está contraindicada em pacientes vivendo com HIV em uso de inibidoresde protease e dolutegravir.
  4. D)  Recomenda-se rotineiramente repetir o tratamento da ILTB em pessoas que já fizeramo curso completo de tratamento ou que já se trataram para tuberculose.

Pérola Clínica

Rifampicina é contraindicada em pacientes HIV+ usando inibidores de protease e dolutegravir devido a interações medicamentosas.

Resumo-Chave

A rifampicina, um fármaco comum no tratamento da ILTB, possui importantes interações medicamentosas com antirretrovirais, como inibidores de protease e dolutegravir, sendo contraindicada nesses casos devido ao risco de falha terapêutica ou toxicidade.

Contexto Educacional

A Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) representa um reservatório significativo para o desenvolvimento de tuberculose ativa, sendo crucial sua identificação e tratamento para o controle da doença. No Brasil, as recomendações de tratamento da ILTB são dinâmicas e visam prevenir a reativação, especialmente em grupos de alto risco como pacientes vivendo com HIV, imunossuprimidos e contatos de casos de tuberculose. Os esquemas de tratamento da ILTB incluem principalmente a isoniazida por 6 ou 9 meses e a rifampicina por 4 meses. A escolha do esquema é individualizada, considerando a idade do paciente, comorbidades, risco de hepatotoxicidade e interações medicamentosas. A rifampicina é geralmente bem tolerada e tem a vantagem de menor duração, sendo preferida em algumas situações, como em crianças menores de 10 anos e contatos de casos de tuberculose monorresistente à isoniazida. No entanto, a rifampicina é um potente indutor enzimático e possui interações medicamentosas importantes, especialmente com antirretrovirais. Em pacientes vivendo com HIV, a rifampicina é contraindicada se estiverem em uso de inibidores de protease ou dolutegravir, devido ao risco de redução dos níveis plasmáticos desses antirretrovirais, levando à falha terapêutica do HIV. Nesses casos, outros esquemas, como a isoniazida, devem ser considerados ou ajustes na terapia antirretroviral devem ser feitos em conjunto com especialistas. O retratamento da ILTB não é rotineiramente recomendado para quem já completou um curso adequado.

Perguntas Frequentes

Por que a rifampicina é contraindicada em pacientes HIV em uso de inibidores de protease e dolutegravir?

A rifampicina é um potente indutor enzimático do citocromo P450, o que pode reduzir significativamente os níveis plasmáticos dos inibidores de protease e do dolutegravir, comprometendo a eficácia do tratamento antirretroviral.

Quais são os esquemas de tratamento recomendados para ILTB no Brasil?

Os esquemas incluem isoniazida por 6 ou 9 meses, ou rifampicina por 4 meses. A escolha depende de fatores como idade, comorbidades, interações medicamentosas e perfil de resistência do contato.

Em quais situações o esquema com rifampicina é preferencial para ILTB?

O esquema com rifampicina por 4 meses é preferencial em contatos de pacientes com monorresistência à isoniazida, em indivíduos com intolerância à isoniazida, e em crianças menores de 10 anos, devido à menor duração e boa tolerabilidade.

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