FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Paciente com 10 anos de vida com história de infecção congênita com HIV com uso de antirretroviral até aos 3 anos de idade sendo que a mãe simplesmente perdeu seguimento e resolveu voltar em atendimento. Paciente evoluiu durante os 7 anos, bem, sem intercorrências de internações, porém com dificuldade de ganho adequado de peso. Na avaliação do banco de dados dos SICLOM (Sistema de Controle Logístico de Medicamentos Antirretrovirais) e do prontuário, paciente estava em uso de antirretroviral sendo 2 ITTRN e 1 ITRNN (Zidovudina, Lamivudina e Nevirapina). Com relação ao esquema para ser adotado neste momento, com base no protocolo de atendimento à criança com HIV, qual a melhor conduta a ser realizada neste momento, além da coleta de PCR Carga viral e CD4:
Abandono de TARV com ITRNN → Reiniciar com 2 ITRN + IP/r (Lopinavir/r ou Atazanavir/r).
Em crianças com histórico de exposição prévia a ITRNN e longo tempo de abandono, o risco de resistência é alto, exigindo esquemas com maior barreira genética (IP/r).
O manejo do HIV em pediatria exige atenção rigorosa ao histórico de exposição e adesão. O protocolo brasileiro recomenda que, em casos de reingresso após falha ou abandono de esquemas contendo ITRNN, utilize-se esquemas com IP/r para assegurar a supressão viral. A monitorização pelo SICLOM é fundamental para rastrear o histórico medicamentoso e prever possíveis resistências.
O uso de Inibidores de Protease potencializados pelo Ritonavir (IP/r) é indicado devido à sua alta barreira genética. Crianças que utilizaram ITRNN (como Nevirapina) e abandonaram o tratamento têm alta probabilidade de terem desenvolvido mutações de resistência, tornando o esquema anterior ineficaz.
Além da avaliação clínica, deve-se solicitar imediatamente a Carga Viral (CV), contagem de linfócitos T CD4+ e, se possível, o teste de genotipagem para orientar a escolha do esquema definitivo, embora o tratamento deva ser reiniciado prontamente.
Geralmente utiliza-se a combinação de dois Inibidores da Transcriptase Reversa Nucleosídeos (ITRN), como Zidovudina e Lamivudina, associados a um Inibidor de Protease (IP/r), garantindo eficácia mesmo em cenários de resistência prévia a não-nucleosídeos.
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