Hirsutismo na SOP: Tratamento com Espironolactona

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 32 anos de idade, com diagnóstico prévio de síndrome dos ovários policísticos (SOP), apresenta queixa de hirsutismo moderado, que vem se agravando nos últimos meses. Ela já faz uso de dispositivo intrauterino (DIU), medicado com levonorgestrel para proteção endometrial, uma vez que possui contraindicação ao uso de estrogênios. A paciente está em busca de um tratamento eficaz para o hirsutismo. Qual é a medicação recomendada para o manejo do hirsutismo para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Ciproterona
  2. B) Espironolactona
  3. C) Finasterida
  4. D) Metformina

Pérola Clínica

SOP com hirsutismo e contraindicação a estrogênios → Espironolactona é a terapia antiandrogênica de primeira linha.

Resumo-Chave

A espironolactona é a escolha para o hirsutismo na SOP quando contraceptivos orais combinados são contraindicados. Ela atua como um antagonista do receptor de androgênio e inibidor da 5-alfa-redutase, tratando a causa do excesso de pelos sem o componente estrogênico.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio hormonal que leva a disfunção ovulatória e hiperandrogenismo. O hirsutismo, crescimento excessivo de pelos em padrão masculino, é uma das manifestações clínicas mais angustiantes para as pacientes, com significativo impacto psicossocial, tornando seu manejo uma prioridade terapêutica. A fisiopatologia do hirsutismo na SOP envolve a produção excessiva de androgênios pelos ovários e glândulas adrenais, frequentemente exacerbada pela resistência à insulina e hiperinsulinemia compensatória. O diagnóstico do hirsutismo é clínico, utilizando escalas como a de Ferriman-Gallwey, e o tratamento visa reduzir a produção ou bloquear a ação dos androgênios nos folículos pilosos. O tratamento de primeira linha para o hirsutismo na SOP geralmente são os contraceptivos orais combinados (COCs), que suprimem a produção de androgênios ovarianos e aumentam a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG). No entanto, em pacientes com contraindicação aos estrogênios, como no caso apresentado, os antiandrogênicos são a principal alternativa. A espironolactona é a droga de escolha nesse cenário, atuando como um antagonista competitivo do receptor de androgênio. Outras opções, como a finasterida (inibidor da 5-alfa-redutase), são consideradas de segunda linha.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

O diagnóstico é baseado nos Critérios de Rotterdam, exigindo a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos na ultrassonografia, após a exclusão de outras patologias.

Por que a espironolactona é preferível à ciproterona neste caso de SOP?

A ciproterona é um progestágeno com potente ação antiandrogênica, mas geralmente é comercializada em combinação com etinilestradiol (contraceptivo oral), que está contraindicado para a paciente. A espironolactona pode ser usada como monoterapia antiandrogênica eficaz e segura neste cenário.

Quais os principais efeitos colaterais da espironolactona no tratamento do hirsutismo?

Os efeitos colaterais mais comuns incluem irregularidades menstruais, como sangramento de escape, mastalgia e, mais raramente, hipercalemia. É fundamental garantir contracepção eficaz, pois a droga pode causar feminização de um feto masculino.

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