CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 61 anos, é atendido no ambulatório de clínica médica deste hospital em consulta de rotina. Refere ser diabético, com diagnóstico há 6 anos, fazendo uso de metformina 1000 mg/dia e glibenclamida 5 mg/dia, sem acompanhamento médico regular. Na primeira consulta foi verificado que a média de três medidas da pressão arterial era 164 x 78 mmHg. O peso corporal 98 Kg, a altura 1,75 m, a circunferência abdominal 112 cm. Não havia outros achados relevantes ao exame físico. Exames complementares foram solicitados. Na consulta de revisão, novamente a média das medidas de pressão arterial era 168 x 76 mmHg. Sua glicemia era 215 mg/dl, hemoglobina glicada 11,2%, creatinina 1,3 mg/dl, K+ 3,8 mEq/L, albuminúria de 227 mg/g de creatinina. Analisando as informações acima, qual das opções abaixo representa a melhor alternativa para o tratamento antihipertensivo neste paciente?
HAS + DM + albuminúria: IECA/BRA são 1ª linha para proteção renal; associar BCC (Anlodipino) para controle pressórico.
Em pacientes diabéticos e hipertensos com albuminúria, os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são a primeira escolha devido à sua nefroproteção. A combinação com um bloqueador de canal de cálcio (BCC) como o Anlodipino é eficaz para atingir as metas pressóricas.
O paciente apresenta um quadro complexo de diabetes mellitus tipo 2 descompensado (glicemia 215 mg/dl, HbA1c 11,2%), hipertensão arterial não controlada (PA média 166/77 mmHg) e nefropatia diabética incipiente, evidenciada pela albuminúria de 227 mg/g de creatinina (microalbuminúria). Além disso, possui obesidade (IMC 32,0 kg/m²) e circunferência abdominal elevada, indicando síndrome metabólica. O manejo desses pacientes requer uma abordagem multifacetada, com foco no controle glicêmico, pressórico e na proteção de órgãos-alvo. Para o tratamento anti-hipertensivo em pacientes diabéticos com albuminúria, os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou os bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são as classes de primeira linha. Eles não apenas reduzem a pressão arterial, mas também exercem um efeito nefroprotetor comprovado, diminuindo a proteinúria e retardando a progressão da doença renal. A monoterapia geralmente não é suficiente para atingir as metas pressóricas, sendo necessária a combinação de medicamentos. A combinação de um IECA (como o Ramipril) com um bloqueador de canal de cálcio (BCC) diidropiridínico (como o Anlodipino) é uma estratégia eficaz e bem estabelecida. O Anlodipino é potente na redução da pressão arterial e pode ser usado com segurança em pacientes diabéticos. A opção C (Anlodipino 5 mg/dia e Ramipril 5 mg/dia) é a mais adequada, pois inclui um IECA para nefroproteção e um BCC para controle pressórico adicional, sem as contraindicações ou menor eficácia de outras combinações apresentadas.
A albuminúria (especialmente microalbuminúria) é um marcador precoce de lesão renal e um preditor independente de risco cardiovascular e progressão da doença renal em pacientes com diabetes e hipertensão. Seu controle é fundamental para a nefroproteção.
IECA (como Ramipril) e BRA (como Candesartana) são a primeira escolha porque, além de controlar a pressão arterial, eles reduzem a proteinúria e retardam a progressão da nefropatia diabética, oferecendo proteção renal específica através da modulação do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
A meta de pressão arterial para pacientes diabéticos, especialmente aqueles com albuminúria ou doença renal crônica, é geralmente <130/80 mmHg, embora as diretrizes possam variar ligeiramente. Um controle rigoroso é essencial para prevenir complicações cardiovasculares e renais.
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