Hipertensão com HVE e BAV: Escolha Terapêutica

IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 53 anos, masculino, branco, tabagista de 30 cigarros/dia, etilista moderado, asmático, hipertenso há mais de 10 anos que, investigado, ficou classificado como essencial. Apresenta também níveis tensionais de 160 x 100 mmHg, BAV segundo grau no ECG e sinais de hipertrofia ventricular esquerda. O ecocardiograma mostrou hipertrofia ventricular esquerda e déficit de relaxamento diastólico. Dentre as opções farmacológicas abaixo apresentadas, a de sua segunda escolha seria:

Alternativas

  1. A) Enalapril
  2. B) Losartana.
  3. C) Reserpina.
  4. D) Propranolol

Pérola Clínica

HAS + HVE + Disfunção Diastólica + BAV 2º grau + Asma → IECA/BRA são 1ª/2ª escolha, evitar Betabloqueadores.

Resumo-Chave

Em paciente hipertenso com hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica, IECA (Enalapril) ou BRA (Losartana) são as classes de primeira linha. A presença de BAV de segundo grau e asma contraindica o uso de betabloqueadores como o Propranolol, tornando o Losartana uma excelente segunda escolha após o Enalapril, ou mesmo uma primeira escolha em caso de intolerância ao IECA.

Contexto Educacional

O tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) exige uma abordagem individualizada, especialmente na presença de comorbidades e lesões de órgão-alvo. Neste caso, o paciente apresenta hipertrofia ventricular esquerda (HVE) e disfunção diastólica, condições que se beneficiam do uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), devido à sua capacidade de promover a regressão da HVE e melhorar a função diastólica. Essas classes são consideradas de primeira linha para o controle pressórico e proteção cardiovascular. No entanto, a presença de bloqueio atrioventricular (BAV) de segundo grau e asma brônquica impõe restrições significativas na escolha de outras classes de anti-hipertensivos. Betabloqueadores, como o propranolol, são contraindicados em pacientes com BAV de alto grau devido ao risco de agravamento do bloqueio e bradicardia. Além disso, betabloqueadores não seletivos podem precipitar crises asmáticas, sendo, portanto, contraindicados em asmáticos. A reserpina, embora um anti-hipertensivo, é uma droga mais antiga e não é considerada de primeira ou segunda linha atualmente devido ao perfil de efeitos adversos. Diante desse cenário, se o Enalapril (IECA) fosse a primeira escolha, a Losartana (BRA) seria uma excelente segunda escolha, oferecendo benefícios semelhantes na proteção cardíaca sem as contraindicações dos betabloqueadores. A Losartana é particularmente útil em pacientes que desenvolvem tosse com IECA, uma vez que não afeta a bradicinina. A compreensão das interações medicamentosas e das contraindicações é fundamental para a segurança e eficácia do tratamento anti-hipertensivo em pacientes complexos.

Perguntas Frequentes

Quais classes de anti-hipertensivos são preferenciais para pacientes com hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica?

Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são as classes preferenciais, pois promovem a regressão da hipertrofia e melhoram o relaxamento diastólico, além de controlar a pressão arterial.

Por que betabloqueadores devem ser evitados em pacientes com BAV de segundo grau e asma?

Betabloqueadores podem agravar o bloqueio atrioventricular, levando a bradicardia e síncope, e podem precipitar broncoespasmo em pacientes asmáticos, especialmente os não seletivos como o propranolol.

Qual a importância de considerar comorbidades como asma e BAV na escolha do anti-hipertensivo?

É crucial para evitar efeitos adversos graves e garantir a segurança do paciente. A escolha deve ser individualizada, priorizando medicamentos que tratem a hipertensão sem exacerbar as condições preexistentes.

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