USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Paciente com 44 anos do sexo feminino de raça negra vem em retorno para avaliação de exames e acompanhamento de pressão arterial alterada, não fuma, faz uso de álcool aos finais de semana. Na consulta verificado pressão arterial de 142 x 92 mmHg, além de IMC de 38, Resultados de exames: Glicemia de jejum: 109 mg/dl, colesterol total: 207 mg/dl, HDL colesterol: 58 mg/dl, triglicérides: 190 mg/dl, creatinina: 1,1 mg/dl, sódio: 142 mEq/l, potássio: 4,9 mEq/l, ácido úrico: 5,1 mg/dl, urina tipo 1: sem alterações. Valores de referência: Glicemia 70 - 100 mg/dl Colesterol total: < 200 mg/dl HDL Colesterol: 40-60 mg/ dl Triglicérides: < 150 mg/dl Creatinina: 1,3 mg/dl Sódio: 135 - 145 mEq/l Potássio: 3,5 - 5,5 mEq/l Ácido Úrico: 4,0 - 7,0 mg/dl. Qual tratamento é o mais indicado?
HAS estágio 1 + raça negra + obesidade/síndrome metabólica → BCC ou Diurético Tiazídico.
Pacientes negros com hipertensão arterial frequentemente respondem melhor a diuréticos tiazídicos ou bloqueadores de canais de cálcio (BCC) como terapia inicial, em comparação com inibidores da ECA ou BRAs. A presença de obesidade e pré-diabetes reforça a necessidade de controle pressórico e de fatores de risco.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica de alta prevalência, e seu manejo requer individualização baseada em comorbidades e características demográficas do paciente. Em pacientes de raça negra, a HAS frequentemente apresenta características específicas, como maior prevalência de hipertensão com baixo nível de renina, maior sensibilidade ao sal e maior risco de complicações como acidente vascular cerebral e doença renal crônica. O diagnóstico da HAS é feito com base em múltiplas aferições da pressão arterial. No caso apresentado, a paciente tem PA de 142x92 mmHg, classificando-a como HAS estágio 1. Além disso, ela apresenta múltiplos fatores de risco cardiovascular, incluindo obesidade, pré-diabetes e dislipidemia, que configuram uma síndrome metabólica, aumentando seu risco cardiovascular global. As diretrizes atuais para o tratamento da HAS em pacientes negros recomendam diuréticos tiazídicos ou bloqueadores dos canais de cálcio (BCCs) como terapia de primeira linha, devido à sua superioridade em comparação com inibidores da ECA ou BRAs nesta população. A escolha do BCC é, portanto, uma conduta apropriada, visando o controle pressórico e a redução do risco de eventos cardiovasculares.
Para pacientes negros, as diretrizes recomendam diuréticos tiazídicos ou bloqueadores dos canais de cálcio (BCCs) como terapia inicial, devido à melhor resposta e eficácia comprovada nesta população.
Pacientes negros tendem a ter hipertensão com baixo nível de renina e são menos responsivos a inibidores da ECA e BRAs como monoterapia inicial. Além disso, há um risco aumentado de angioedema com inibidores da ECA.
A paciente apresenta obesidade (IMC 38), pré-diabetes (glicemia de jejum 109 mg/dl) e dislipidemia (triglicérides 190 mg/dl, colesterol total 207 mg/dl), caracterizando síndrome metabólica. O manejo deve incluir mudanças no estilo de vida e controle desses fatores para reduzir o risco cardiovascular global.
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