UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Mulher, 49 anos, com diagnóstico recente de adenoma de paratireoide, é admitida no setor de emergência com quadro de letargia. Eletrocardiograma (ECG): bradicardia sinusial. Exames laboratoriais: cálcio sérico (Ca⁺⁺) = 13mg/dL; sódio sérico (Na⁺) = 142mEq/L; potássio sérico (K⁺) = 4,5mEq/L. Pode-se afirmar que, inicialmente, o tratamento mais adequado é:
Hipercalcemia grave sintomática → hidratação vigorosa com solução salina IV é a medida inicial mais importante.
Em casos de hipercalcemia aguda e sintomática, a hidratação com solução salina intravenosa é a primeira e mais crucial etapa do tratamento. Ela promove a diluição do cálcio sérico e aumenta sua excreção renal, sendo mais rápida e eficaz que outras terapias iniciais como bifosfonados ou diuréticos de alça, que têm início de ação mais lento ou são adjuvantes.
A hipercalcemia é uma condição metabólica comum, especialmente em pacientes com malignidades ou hiperparatireoidismo primário. A crise hipercalcêmica, definida por níveis séricos de cálcio acima de 12 mg/dL e sintomas graves, é uma emergência médica que exige intervenção rápida para prevenir complicações sérias, incluindo arritmias cardíacas, insuficiência renal e coma. O reconhecimento precoce dos sintomas e a compreensão da fisiopatologia são cruciais para o manejo eficaz. A fisiopatologia da hipercalcemia envolve um desequilíbrio entre a entrada e a saída de cálcio do organismo, geralmente por aumento da reabsorção óssea, aumento da absorção intestinal ou diminuição da excreção renal. No caso de adenoma de paratireoide, há uma produção excessiva de paratormônio (PTH), que leva à reabsorção óssea e aumento da reabsorção tubular de cálcio. O diagnóstico é laboratorial, mas a avaliação clínica dos sintomas é fundamental para determinar a gravidade e a urgência do tratamento. O tratamento inicial da hipercalcemia grave e sintomática foca na hidratação vigorosa com solução salina isotônica, que dilui o cálcio e aumenta sua excreção renal. Após a estabilização volêmica, outras terapias como bifosfonados (para inibir a reabsorção óssea) e, em casos selecionados, calcitonina (para efeito mais rápido, mas transitório) ou diuréticos de alça (com cautela para evitar desidratação) podem ser adicionadas. A identificação e tratamento da causa subjacente, como a remoção cirúrgica do adenoma de paratireoide, são essenciais para o manejo a longo prazo.
A hipercalcemia aguda pode manifestar-se com sintomas neurológicos como letargia, confusão e coma, sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos e constipação, e cardiovasculares como bradicardia e arritmias. A gravidade dos sintomas geralmente se correlaciona com os níveis séricos de cálcio.
A solução salina intravenosa é o tratamento inicial mais adequado porque promove a expansão do volume intravascular, o que aumenta a filtração glomerular e a excreção renal de cálcio. Além disso, a diluição do cálcio sérico contribui para sua redução rápida, sendo uma medida de estabilização imediata.
Bifosfonados são indicados após a hidratação inicial para inibir a reabsorção óssea e têm um início de ação mais lento (2-4 dias). Diuréticos de alça, como a furosemida, podem ser usados após a hidratação adequada para aumentar a excreção de cálcio, mas devem ser usados com cautela para evitar desidratação e piora da hipercalcemia.
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