Hanseníase: Efeitos Adversos da Dapsona e Manejo Clínico

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2021

Enunciado

Sobre o tratamento da Hanseníase, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A síndrome pseudogripal associada à dapsona ocorre geralmente uma a duas horas após a sua administração na dose supervisionada, caracterizando-se por: febre, calafrios, cefaleia, anemia hemolítica, púrpura trombocitopênica, nefrite intersticial, necrose tubular aguda e choque.
  2. B) Entre as causas de recidiva, destacam-se: uso irregular da droga, insuficiência terapêutica por erro de classificação, monoterapia e administração de doses baixas de medicamentos.
  3. C) Uso do esquema (rifampicina, ofloxacina e minociclin , em dose única, pode ser indicado em pacientes com lesão cutânea anestésica única com apenas um tronco nervoso comprometido ou na hanseníase neural pura.
  4. D) A Dapsona pode apresentar como efeitos adversos importantes: agranulocitose, anemia hemolítica, metahemoglobinemia e eritrodemia esfoliativa.
  5. E) Na intolerância à dapsona e ofloxacina, pacientes multibacilares devem ser tratados com Rifampicina e clofazimina por um período não inferior a 24 meses.

Pérola Clínica

Dapsona (Hanseníase): atenção a agranulocitose, anemia hemolítica, metahemoglobinemia e eritrodemia esfoliativa.

Resumo-Chave

A Dapsona é um componente essencial da politerapia da hanseníase, mas seu uso requer monitoramento devido a efeitos adversos hematológicos graves como anemia hemolítica (especialmente em deficiência de G6PD), metahemoglobinemia e, mais raramente, agranulocitose e eritrodemia esfoliativa, que podem ser fatais.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. O tratamento é baseado na politerapia (MDT), que combina diferentes medicamentos para prevenir a resistência e garantir a cura. A Dapsona é um dos pilares desse esquema terapêutico, utilizada tanto em esquemas paucibacilares quanto multibacilares. No entanto, a Dapsona não é isenta de efeitos adversos, e seu uso requer atenção e monitoramento. Os efeitos hematológicos são os mais notáveis, incluindo anemia hemolítica, especialmente em pacientes com deficiência de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD), e metahemoglobinemia, que pode causar cianose. A agranulocitose é um efeito adverso raro, mas grave, que exige a suspensão imediata da droga. Reações cutâneas graves, como a eritrodemia esfoliativa, também podem ocorrer. O manejo da hanseníase e de seus efeitos adversos é complexo e exige conhecimento aprofundado. É fundamental que os residentes estejam cientes dos potenciais riscos da Dapsona, saibam identificar seus efeitos adversos e conduzam o monitoramento laboratorial adequado. Em casos de intolerância ou reações graves, alternativas terapêuticas devem ser consideradas, sempre em conformidade com as diretrizes nacionais e internacionais para o tratamento da hanseníase.

Perguntas Frequentes

Quais são os efeitos adversos mais importantes da Dapsona no tratamento da hanseníase?

Os efeitos adversos mais importantes da Dapsona incluem agranulocitose, anemia hemolítica (comum em pacientes com deficiência de G6PD), metahemoglobinemia e reações cutâneas graves como eritrodemia esfoliativa. É crucial monitorar o hemograma durante o tratamento.

Como a Dapsona causa anemia hemolítica e metahemoglobinemia?

A Dapsona é um agente oxidante que pode induzir estresse oxidativo nos eritrócitos. Em indivíduos com deficiência de G6PD, a capacidade de neutralizar esse estresse é reduzida, levando à hemólise. A metahemoglobinemia ocorre pela oxidação da hemoglobina, reduzindo sua capacidade de transporte de oxigênio.

Qual a diferença entre a síndrome pseudogripal e a eritrodemia esfoliativa associadas ao tratamento da hanseníase?

A síndrome pseudogripal é um efeito adverso da Rifampicina, caracterizada por febre, calafrios e mialgia, geralmente associada a doses intermitentes. A eritrodemia esfoliativa é uma reação cutânea grave, rara, associada à Dapsona, que se manifesta como eritema e descamação generalizados da pele.

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