CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Sobre o tratamento clínico do glaucoma, assinale a alternativa correta.
Análogos de prostaglandina → hiperpigmentação de íris irreversível por ↑ melanina.
Análogos de prostaglandina aumentam o fluxo uveoescleral e causam mudanças permanentes na cor da íris. Betabloqueadores têm eficácia reduzida à noite devido à menor produção basal de humor aquoso durante o sono.
O manejo farmacológico do glaucoma exige compreensão profunda da farmacocinética e farmacodinâmica dos colírios. Os análogos de prostaglandina são frequentemente a primeira linha devido à posologia única diária e alta eficácia no aumento do escoamento uveoescleral. No entanto, efeitos cosméticos como a mudança na cor dos olhos e a atrofia da gordura periorbitária devem ser discutidos com o paciente. Os betabloqueadores, embora eficazes, exigem cautela em pacientes com bradicardia, bloqueios atrioventriculares ou doença pulmonar obstrutiva, devido à absorção sistêmica. A pilocarpina, um parassimpaticomimético, embora menos usada hoje, atua contraindo o músculo ciliar, o que traciona o esporão escleral e abre as malhas do trabeculado, facilitando o escoamento convencional.
O uso de análogos de prostaglandina, como a latanoprosta, promove um aumento na síntese de melanina dentro dos melanócitos estromais da íris. Diferente da hipertricose (crescimento dos cílios) ou da pigmentação da pele periorbitária, que podem regredir após a suspensão da droga, a alteração na cor da íris é definitiva, pois não há redução do conteúdo de melanina já depositado nos melanócitos.
Os betabloqueadores tópicos, como o timolol, apresentam o chamado 'efeito crossover' ou efeito contralateral. Isso ocorre devido à absorção sistêmica significativa da droga através da mucosa nasolacrimal, atingindo a circulação geral e agindo no olho não tratado. Por isso, a pressão intraocular do olho contralateral pode diminuir mesmo sem a instilação direta do colírio.
A produção de humor aquoso pelo corpo ciliar é regulada pelo sistema nervoso simpático e segue um ritmo circadiano, sendo significativamente menor durante o sono. Como os betabloqueadores agem inibindo a produção de humor aquoso mediada por receptores beta-adrenérgicos, sua utilidade clínica é reduzida no período noturno, quando a taxa de secreção já está fisiologicamente em seu nadir.
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