PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Você está trabalhando em uma unidade básica de saúde e atende o sr. Jose, de 58 anos, com histórico de Hipertensão, Diabetes e Gota. Ele refere que há anos não faz consulta médica, porém resolveu procurar a unidade por pressão de sua esposa, uma vez que se sente mais cansado. No momento faz uso de Atenolol 50 mg ao dia e Enalapril 10 mg a cada 12 horas para tratamento da hipertensão, além de 500mg ao dia de Metformina para o diabetes. Seus hábitos alimentares são irregulares, porém ingere grande quantidade de carboidratos, especialmente pão e massa, também possui o hábito de beber 2 a 3 latas de cerveja diariamente. Relata ainda que está tentando fazer mais exercício físico, com uma caminhada de 30 minutos aos sábados. Fuma desde os 20 anos de idade, em média 1 maço de cigarro ao dia, porém manifesta desejo de parar o consumo. Na revisão de sistemas refere disfunção erétil e crises de gota. Ao exame físico apresenta uma pressão arterial de 144x96 mmHg, Frequência Cardíaca de 54bpm, circunferência abdominal de 122cm, altura de 1,72m e peso de 102kg, sem outras alterações.Você solicita exames laboratoriais que revelam:Triglicerídeos: 300mg/dLHDL: 35 mg/dLLDL: 120 mg/dLColesterol total: 215mg/dLGlicose de Jejum: 154 mg/dLHemoglobina Glicada: 7,8%O paciente questiona sobre o uso de medicamentos para parar de fumar, especialmente sobre a bupropiona. Considerando que apresente um alto grau de dependência tabágica pelo teste de Fagerstrom, qual a orientação adequada?
Bupropiona → 150mg/dia (3 dias) → 150mg 12/12h. Parar de fumar entre o 8º e 15º dia de tratamento.
O tratamento com bupropiona exige titulação inicial para reduzir efeitos colaterais e deve ser iniciado enquanto o paciente ainda fuma, definindo uma data de parada posterior.
O tratamento do tabagismo na Atenção Primária baseia-se na abordagem multiprofissional associada à farmacoterapia quando indicada pelo teste de Fagerstrom (escore ≥ 5). A bupropiona atua reduzindo o 'craving' e os sintomas de abstinência ao modular a via dopaminérgica de recompensa. É fundamental monitorar a pressão arterial, pois embora não seja uma contraindicação absoluta, a droga pode elevar os níveis tensionais em alguns pacientes. Além da farmacoterapia, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o pilar do tratamento. O médico deve avaliar comorbidades como diabetes e hipertensão para otimizar o controle global do risco cardiovascular, já que o tabagismo potencializa drasticamente a morbimortalidade nesses pacientes. A escolha entre bupropiona, Terapia de Reposição de Nicotina (TRN) ou vareniclina deve ser individualizada conforme o perfil clínico.
O tratamento deve ser iniciado com 150 mg uma vez ao dia, pela manhã, durante os primeiros três dias. A partir do quarto dia, a dose é aumentada para 150 mg duas vezes ao dia (com intervalo mínimo de 8 horas entre as doses). O paciente deve ser orientado a fixar uma data para parar de fumar entre o oitavo e o décimo quinto dia após o início do medicamento, permitindo que os níveis plasmáticos da droga se estabilizem antes da cessação total do tabaco.
As principais contraindicações absolutas incluem histórico de convulsões ou epilepsia, diagnóstico atual ou prévio de transtornos alimentares (anorexia ou bulimia), e uso concomitante de inibidores da MAO ou retirada abrupta de álcool/benzodiazepínicos. A hipertensão não controlada é uma contraindicação relativa que exige cautela e monitoramento pressórico rigoroso durante o tratamento, mas não impede o uso se a PA estiver estabilizada.
Diferente dos Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), a bupropiona não costuma causar disfunção sexual. Na verdade, por agir na recaptação de dopamina e noradrenalina, ela é frequentemente utilizada como alternativa para pacientes que apresentam efeitos colaterais sexuais com outros antidepressivos. No caso do paciente tabagista com disfunção erétil prévia, a bupropiona é uma escolha segura e não deve agravar o quadro clínico.
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