IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024
Uma senhora de 40 anos procurou atendimento ambulatorial com queixa de cansaço e dor nos joelhos. Refere hipertensão arterial, em uso de losartana 50mg 2x/dia e anlodipina 10mg 1x/dia; diabete melito tipo 2 em uso de metformina 2g/dia e dapaglifozina 10mg/dia, além de epilepsia em uso de ácido valpróico 1000mg/dia e carbamazepina 600mg/dia. Ao exame: peso = 98 kg, altura = 1,60 m, FC = 88 BPM, PA = 146 x 92 mmHg e ritmo cardíaco regular em 3 tempos (B4). Avaliação ortopédica com diagnóstico de gonartrose bilateral, sendo recomendado perda de peso para sua melhora. Assinale a alternativa CORRETA em relação à indicação de medicamentos anti-obesidade: Assinale a alternativa CORRETA em relação à indicação de medicamentos anti-obesidade:
Obesidade Grau II + comorbidades → indicação farmacológica. Avaliar contraindicações: Sibutramina (CV), Bupropiona (convulsões).
A paciente apresenta IMC de 38.28 kg/m², classificando-a como obesidade grau II, e possui múltiplas comorbidades (HAS, DM2, gonartrose), o que justifica a indicação de tratamento farmacológico. É crucial avaliar as contraindicações dos medicamentos, como a sibutramina em pacientes com doença cardiovascular e a bupropiona em pacientes com epilepsia ou em uso de anticonvulsivantes que reduzem o limiar convulsivo.
A obesidade é uma doença crônica multifatorial que exige uma abordagem terapêutica individualizada. A indicação de tratamento farmacológico é baseada no Índice de Massa Corporal (IMC) e na presença de comorbidades. Pacientes com IMC ≥ 30 kg/m² ou IMC ≥ 27 kg/m² com comorbidades (como hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia, apneia do sono ou osteoartrite) são candidatos à terapia medicamentosa, após falha das modificações de estilo de vida. É fundamental conhecer o perfil de segurança e as contraindicações de cada fármaco. A sibutramina, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, é eficaz na perda de peso, mas é contraindicada em pacientes com histórico de doença cardiovascular devido ao risco de aumento da pressão arterial e frequência cardíaca. A combinação naltrexona-bupropiona, que atua no sistema nervoso central, é contraindicada em pacientes com histórico de convulsões ou que utilizam medicamentos que reduzem o limiar convulsivo, como alguns anticonvulsivantes. Para pacientes com comorbidades complexas, como epilepsia e hipertensão, a escolha do medicamento deve ser criteriosa. Orlistate, um inibidor da lipase gastrointestinal, atua localmente e tem um perfil de segurança favorável em relação a efeitos cardiovasculares ou neurológicos. Liraglutida, um agonista do receptor de GLP-1, também é uma opção eficaz e segura, com benefícios adicionais no controle glicêmico e cardiovascular, sendo uma escolha adequada para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade.
A terapia farmacológica para obesidade é indicada para pacientes com IMC ≥ 30 kg/m² ou para aqueles com IMC ≥ 27 kg/m² que apresentam comorbidades relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial ou dislipidemia, após falha de intervenções de estilo de vida.
A sibutramina é contraindicada em pacientes com histórico de doença cardiovascular (hipertensão não controlada, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, arritmias, AVC). A combinação naltrexona+bupropiona é contraindicada em pacientes com histórico de convulsões, bulimia, anorexia nervosa, uso de opioides crônicos ou inibidores da MAO.
Para pacientes com epilepsia e comorbidades cardiovasculares, opções como orlistate, que age localmente no trato gastrointestinal, e liraglutida, um agonista do receptor de GLP-1, são geralmente consideradas mais seguras, pois não afetam o sistema nervoso central ou cardiovascular de forma significativa.
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