PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022
Mulher de 49 anos queixa-se de dores no dorso, membros superiores e inferiores, baixa energia e insônia há um ano. Nega febre, emagrecimento ou sudorese noturna. Descreve episódios paroxísticos de mudança de cor nas pontas dos dedos das mãos por alguns minutos, que se tornam pálidos e, em seguida, azulados, quando expostos ao frio. É portadora de transtorno depressivo e faz uso de fluoxetina. O exame físico não apresenta anormalidades. Exames de laboratório: Hb 13,4g/dL; Leucócitos totais: 7.840/mm³; Plaquetas: 198.000/mm³; Proteína C reativa 3mg/dL; TSH 1,4UI/mL; cálcio iônico 1,23mmol/ L; anti-HIV. Não Reagente; HBsAg Não Reagente, anti-HCV Não Reagente; FAN reagente até título 1:320 com padrão nuclear pontilhado fino denso. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável para essa paciente, assinale a alternativa que apresenta uma opção terapêutica MAIS ADEQUADA.
Fibromialgia + Raynaud + FAN pontilhado fino denso → Amitriptilina para dor e sono, Raynaud primário provável.
A paciente apresenta quadro clínico clássico de fibromialgia (dor crônica generalizada, fadiga, insônia) associado a fenômeno de Raynaud. O FAN positivo com padrão pontilhado fino denso é inespecífico e pode ocorrer em indivíduos saudáveis ou com fibromialgia, não indicando necessariamente doença autoimune sistêmica. A amitriptilina é uma medicação de primeira linha para fibromialgia, atuando na dor, sono e humor.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga, distúrbios do sono e problemas cognitivos, afetando predominantemente mulheres de meia-idade. Sua fisiopatologia envolve uma desregulação do processamento da dor no sistema nervoso central, com sensibilização central e disfunção de neurotransmissores. É uma condição complexa que impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes e representa um desafio diagnóstico e terapêutico para os médicos, especialmente para residentes que precisam diferenciar de outras condições reumatológicas. A paciente apresenta um quadro típico de fibromialgia, com dor crônica, fadiga e insônia. A presença de fenômeno de Raynaud, caracterizado por episódios paroxísticos de palidez, cianose e rubor nas extremidades em resposta ao frio, é comum em pacientes com fibromialgia, embora possa estar associado a doenças autoimunes sistêmicas. O FAN reagente com padrão pontilhado fino denso (AC-29) é um achado inespecífico, podendo ser encontrado em até 20% da população saudável e em diversas condições não autoimunes, incluindo a fibromialgia, não sendo suficiente para diagnosticar uma doença do tecido conjuntivo na ausência de outros sinais e sintomas específicos. O tratamento da fibromialgia é multimodal, combinando abordagens farmacológicas e não farmacológicas. A amitriptilina, um antidepressivo tricíclico, é uma das medicações de primeira linha, eficaz na redução da dor, melhora do sono e fadiga, mesmo em doses baixas. Outras opções incluem duloxetina, pregabalina e milnaciprano. O manejo do fenômeno de Raynaud, se primário, envolve medidas comportamentais (evitar frio, parar de fumar) e, em casos mais graves, bloqueadores dos canais de cálcio. É fundamental que residentes saibam interpretar exames como o FAN no contexto clínico, evitando investigações excessivas e focando no tratamento sintomático e na educação do paciente sobre a fibromialgia.
Os critérios atuais incluem dor generalizada por mais de 3 meses, em pelo menos 4 de 5 regiões do corpo, e sintomas como fadiga, sono não reparador e problemas cognitivos, sem outra condição que explique os sintomas.
O Raynaud primário é idiopático, geralmente bilateral e simétrico, sem sinais de doença subjacente. O secundário está associado a doenças autoimunes (esclerodermia, LES), uso de drogas ou outras condições, e pode apresentar úlceras ou necrose digital. A capilaroscopia periungueal ajuda na diferenciação.
A amitriptilina, um antidepressivo tricíclico, é eficaz na fibromialgia por modular a dor (ação noradrenérgica e serotoninérgica), melhorar a qualidade do sono e reduzir a fadiga, mesmo em doses mais baixas do que as usadas para depressão.
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