DPOC: Tratamento Inicial e Manejo dos Sintomas

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 65 anos de idade, comparece para consulta com queixa de dispneia e tosse crônica, há mais de 3 anos, com piora nos últimos meses. Quando caminha, precisa parar diversas vezes, mesmo no plano, e refere piora dos sintomas no fim do dia e ao acordar. Tabagista desde os 20 anos de idade, cerca de 1 maço ao dia. Já teve pneumonias no passado, sem outras doenças conhecidas. Há cerca de 60 dias, foi ao pronto-socorro por piora dos sintomas, foi medicado e liberado, mas não sabe os nomes das medicações. Ao exame físico, ausculta pulmonar reduzida globalmente, mas sem ruídos adventícios. Sem outras alterações. Traz o exame a seguir.Sobre o caso descrito, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A presença de um distúrbio restritivo descarta a presença de DPOC e asma, sendo necessário continuar a investigação com uma tomografia de alta resolução.
  2. B) De acordo com a espirometria, a presença de hiper-reatividade brônquica caracteriza asma não remodelada, cujo tratamento é corticoide inalatório para os sintomas.
  3. C)  O caso é de DPOC, e o paciente deve iniciar uso de corticoide sistêmico e inalatório para melhora dos sintomas.
  4. D) Trata-se de doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada, cuja conduta recomendada é o uso de corticoide sistêmico, bem como uso de broncodilatadores inalatórios.
  5. E) Trata-se de doença pulmonar obstrutiva crônica, e o paciente necessita iniciar uso de broncodilatadores, beta-agonista ou antimuscarínico, para melhora dos sintomas.

Pérola Clínica

DPOC sintomática → iniciar broncodilatador de longa ação (LABA ou LAMA) para alívio dos sintomas.

Resumo-Chave

Em pacientes com DPOC e sintomas persistentes como dispneia e tosse, a terapia inicial recomendada é o uso de broncodilatadores de longa ação. Estes podem ser beta-agonistas de longa ação (LABA) ou antimuscarínicos de longa ação (LAMA), que promovem a broncodilatação e melhoram o fluxo aéreo, aliviando os sintomas e melhorando a qualidade de vida.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença respiratória progressiva caracterizada por limitação do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição a longo prazo a irritantes, sendo o tabagismo o principal fator de risco. Os sintomas incluem dispneia, tosse crônica e produção de escarro, que tendem a piorar com o tempo. O manejo da DPOC visa aliviar os sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a qualidade de vida, sendo um tópico central na pneumologia e na medicina geral. O tratamento farmacológico da DPOC estável é baseado principalmente em broncodilatadores de longa ação. Os beta-agonistas de longa ação (LABA) e os antimuscarínicos de longa ação (LAMA) são as classes de medicamentos preferenciais, podendo ser usados isoladamente ou em combinação. A escolha e a intensidade do tratamento dependem da gravidade dos sintomas e do histórico de exacerbações do paciente, conforme as diretrizes GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease). O uso de corticosteroides sistêmicos é reservado para exacerbações agudas, e os inalatórios são considerados em pacientes com exacerbações frequentes ou eosinofilia. Além da farmacoterapia, a cessação do tabagismo é a intervenção mais eficaz para retardar a progressão da doença. A reabilitação pulmonar, a vacinação (influenza e pneumocócica) e o manejo de comorbidades também são componentes essenciais do cuidado integral ao paciente com DPOC. A educação do paciente sobre sua condição e o plano de tratamento é fundamental para a adesão e o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Qual é a abordagem inicial para o tratamento farmacológico da DPOC em pacientes sintomáticos?

A abordagem inicial para o tratamento farmacológico da DPOC em pacientes sintomáticos é o uso de broncodilatadores de longa ação. Estes incluem beta-agonistas de longa ação (LABA) e/ou antimuscarínicos de longa ação (LAMA), que são a pedra angular do tratamento para aliviar a dispneia e melhorar a tolerância ao exercício.

Quando os corticosteroides inalatórios são indicados no tratamento da DPOC?

Os corticosteroides inalatórios (CI) não são a terapia de primeira linha para DPOC. Eles são geralmente indicados para pacientes com DPOC moderada a grave que apresentam exacerbações frequentes, apesar do uso de broncodilatadores de longa ação, ou para aqueles com evidência de eosinofilia no sangue periférico.

Qual a importância da cessação do tabagismo na DPOC?

A cessação do tabagismo é a intervenção mais importante e eficaz para retardar a progressão da DPOC e melhorar o prognóstico. É fundamental que todos os pacientes tabagistas com DPOC recebam aconselhamento e suporte para parar de fumar.

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