Doença de Alzheimer: Tratamento e Manutenção da Funcionalidade

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Rejane, 74 anos, trazida ao ambulatório pela filha para investigação de problemas de memória. Relata como antecedentes pessoais HAS, em uso de losartana 50 mg/dia e sobrepeso. Considera-se uma pessoa saudável. Pratica caminhada diariamente e uma vez por semana se reúne com as amigas para jogo de cartas. Viúva há 4 anos. A paciente nega qualquer queixa cognitiva, porém a filha demonstra grande preocupação porque recentemente a mãe se esqueceu completamente de uma consulta odontológica e se perdeu ao dirigir para o supermercado. Segundo informações da filha, os amigos também têm notado certa irritabilidade na paciente e descrevem que sua habilidade no jogo de cartas também se alterou. Quando questionada a respeito das queixas trazidas pela filha, a paciente diz que todas essas alterações são normais do envelhecimento e que, às vezes, se esquece de onde guardou as chaves do carro e de nomes de algumas pessoas mais distantes, mas que habitualmente logo se lembra desses fatos. Assinale a alternativa CORRETA quanto ao tratamento da doença de Alzheimer:

Alternativas

  1. A) A memantina é uma droga que deve ser utilizada em todas as fases da doença por seu efeito na redução da velocidade de progressão da doença.
  2. B) Os neurolépticos são usados com frequência nas fases mais tardias e não tem impacto sobre a mortalidade dos pacientes.
  3. C) Os antidepressivos de escolha no tratamento dos pacientes demenciados com alterações de humor são os tricíclicos.
  4. D) O benefício das drogas anticolinesterásicas como a galantamina é observado na manutenção da funcionalidade por mais tempo.
  5. E) As medidas não farmacológicas não têm espaço atualmente no tratamento da doença de Alzheimer ou de seus sintomas associados.

Pérola Clínica

Inibidores da colinesterase (galantamina, donepezila) → manutenção da funcionalidade em Alzheimer.

Resumo-Chave

As drogas anticolinesterásicas atuam aumentando a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica, o que pode melhorar a função cognitiva e, mais importante, retardar a perda de funcionalidade em pacientes com doença de Alzheimer leve a moderada.

Contexto Educacional

A Doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência, caracterizada por um declínio progressivo da função cognitiva que interfere nas atividades diárias. Sua prevalência aumenta significativamente com a idade, representando um desafio crescente para a saúde pública e a geriatria. Compreender seu tratamento é fundamental para a prática clínica. O diagnóstico da DA é clínico, baseado em critérios que incluem perda de memória e outras funções cognitivas. A fisiopatologia envolve o acúmulo de placas de beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares de proteína tau. O tratamento farmacológico visa modular neurotransmissores e, embora não cure, pode retardar a progressão dos sintomas. As drogas anticolinesterásicas (donepezila, rivastigmina, galantamina) são a primeira linha para DA leve a moderada, melhorando a transmissão colinérgica. A memantina, um antagonista do receptor NMDA, é usada em fases moderada a grave. Medidas não farmacológicas, como estimulação cognitiva e exercícios físicos, são cruciais em todas as fases para complementar o tratamento e melhorar a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais classes de medicamentos para Doença de Alzheimer?

As principais classes são os inibidores da colinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina) para fases leve a moderada, e a memantina para fases moderada a grave.

Qual o principal benefício dos inibidores da colinesterase no Alzheimer?

O principal benefício é a manutenção da funcionalidade e o retardo da progressão dos sintomas cognitivos e comportamentais, melhorando a qualidade de vida do paciente e cuidadores.

A memantina pode ser usada em todas as fases da Doença de Alzheimer?

Não, a memantina é geralmente indicada para pacientes com doença de Alzheimer moderada a grave, atuando como um antagonista do receptor NMDA para modular a neurotransmissão glutamatérgica.

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