IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022
Um senhor de 60 anos de idade procura o setor de emergência com quadro de febre, tosse seca e dispneia com início há 7 dias. Ao exame físico: frequência cardíaca de 120 BPM, temperatura axilar de 38,2 °C, pressão arterial de 106 x 56 mmHg, frequência respiratória de 32 IRPM e saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente. A radiografia do tórax revela infiltrados pulmonares bilaterais e a tomografia computadorizada torácica mostra múltiplas áreas lobulares e subsegmentares bilaterais com opacidade em vidro fosco, ocupando cerca de 50% dos campos pulmonares. O paciente é internado na UTI e iniciada oxigenioterapia com catéter nasal a 2l/minuto. Um swab nasofaríngeo é enviado para teste rápido de antígeno e o resultado é positivo para coronavírus causador de síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). Assinale a alternativa que contém o conjunto de medidas farmacológicas de rotina recomendadas pelas Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com COVID-19, CONITEC-MINISTERIO DA SAÚDE):
COVID-19 grave (SatO2 <90%): Dexametasona 6mg/dia por 10 dias + tromboprofilaxia (heparina SC).
Em pacientes com COVID-19 grave, a dexametasona reduz mortalidade e tempo de internação. A tromboprofilaxia é essencial devido ao estado pró-trombótico associado à infecção, sendo a heparina não fracionada ou enoxaparina em dose profilática as opções de rotina.
A pandemia de COVID-19 trouxe desafios significativos, e o manejo de pacientes graves tornou-se um pilar da prática médica. As diretrizes da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) são fundamentais para padronizar o tratamento no Brasil, baseando-se nas melhores evidências científicas disponíveis. Compreender essas recomendações é crucial para a conduta adequada em emergências e UTIs, especialmente para residentes que atuam na linha de frente. O quadro clínico de COVID-19 grave é caracterizado por hipoxemia e infiltrados pulmonares extensos, refletindo uma resposta inflamatória sistêmica. O diagnóstico é confirmado por testes moleculares ou de antígeno para SARS-CoV-2. A suspeita deve ser alta em pacientes com sintomas respiratórios agudos e fatores de risco. A fisiopatologia envolve a replicação viral e uma resposta imune desregulada que pode levar à lesão pulmonar aguda e disfunção de múltiplos órgãos. O tratamento farmacológico de rotina para COVID-19 grave, conforme as diretrizes brasileiras, inclui a dexametasona na dose de 6 mg/dia por 10 dias (ou até a alta, o que ocorrer primeiro) e tromboprofilaxia com heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular). Outras terapias, como remdesivir, podem ser consideradas em contextos específicos, mas não são de rotina para todos os casos graves. O prognóstico está diretamente ligado à gravidade inicial e à presença de comorbidades, sendo o manejo precoce e adequado essencial para melhorar os desfechos.
A gravidade da COVID-19 é definida por sinais como dispneia, frequência respiratória ≥ 30 irpm, saturação de oxigênio ≤ 93% em ar ambiente, relação PaO2/FiO2 < 300 mmHg, ou infiltrados pulmonares > 50% em 24-48 horas, indicando necessidade de suporte hospitalar e, muitas vezes, UTI.
A dexametasona, um corticoide, é recomendada por seu efeito anti-inflamatório, que modula a resposta imune hiperinflamatória (tempestade de citocinas) observada em casos graves de COVID-19, reduzindo a mortalidade e a necessidade de ventilação mecânica.
A COVID-19 está associada a um estado de hipercoagulabilidade, aumentando o risco de eventos tromboembólicos. A tromboprofilaxia com heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) é crucial para prevenir complicações como trombose venosa profunda e embolia pulmonar em pacientes hospitalizados.
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