Bulimia Nervosa: Fluoxetina e Tratamento Farmacológico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo feminino, de 23 anos, foi encaminhada para serviço ambulatorial especializado após ter sido estabilizada em atendimento de urgência em internação ocasionada por fraqueza generalizada e lipotimia. Durante a avaliação clínica na urgência, foi constatado que a paciente apresentava hipertrofia de glândulas parótidas, dentes em regular estado de conservação e sinal de Russel nas mãos. Na consulta ambulatorial, foi verificado que a paciente atendia aos critérios do diagnóstico de bulimia nervosa, por apresentar episódios recorrentes de compulsão alimentar, seguidos de comportamentos compensatórios e inapropriados para evitar o ganho de peso (no caso, autoindução de vômitos). Como proposta terapêutica não farmacológica, foi planejada a terapia cognitiva comportamental, em 20 sessões em grupo, durante 5 meses.Em relação à proposta de terapêutica farmacológica para essa paciente, é correto afirmar que,

Alternativas

  1. A) entre os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, o citalopram é uma opção terapêutica na dose de 10 mg.
  2. B) entre os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, a venlafaxina é uma opção terapêutica na dose de 37,5 mg.
  3. C) entre os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, a fluoxetina é uma opção terapêutica na dose de 60 mg.
  4. D) entre os anticonvulsivantes, em substituição a antidepressivos, o topiramato é uma opção terapêutica na dose de 25 mg.

Pérola Clínica

Fluoxetina 60 mg/dia é o ISRS de escolha para bulimia nervosa, com TCC como primeira linha.

Resumo-Chave

A fluoxetina é o único inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) aprovado para o tratamento da bulimia nervosa, sendo eficaz na redução da frequência de episódios de compulsão alimentar e vômitos. A dose recomendada é de 60 mg/dia, que é superior à dose usual para depressão, e deve ser combinada com terapia cognitivo-comportamental (TCC).

Contexto Educacional

A bulimia nervosa é um transtorno alimentar grave caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios inadequados para evitar o ganho de peso, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, diuréticos, exercícios excessivos ou jejum. É mais comum em mulheres jovens e pode levar a complicações médicas significativas, incluindo desequilíbrios eletrolíticos, problemas dentários e gastrointestinais. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos específicos do DSM-5. O tratamento da bulimia nervosa é multimodal, combinando abordagens psicoterapêuticas e farmacológicas. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a psicoterapia de primeira linha e a mais eficaz, focando na normalização dos padrões alimentares e na modificação de crenças disfuncionais. No que diz respeito ao tratamento farmacológico, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são a classe de medicamentos mais estudada e eficaz. Entre os ISRS, a fluoxetina é o fármaco de escolha e o único aprovado especificamente para a bulimia nervosa. A dose eficaz para bulimia é de 60 mg/dia, que é superior à dose utilizada para depressão. Outros antidepressivos, como os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) ou anticonvulsivantes como o topiramato, não possuem a mesma evidência de eficácia ou são associados a riscos maiores, como o topiramato que pode levar à perda de peso indesejada em pacientes que já têm preocupação com o peso. É crucial que os residentes compreendam a importância da dose específica da fluoxetina e a combinação com TCC para otimizar os resultados terapêuticos.

Perguntas Frequentes

Qual a dose recomendada de fluoxetina para bulimia nervosa?

A dose recomendada de fluoxetina para o tratamento da bulimia nervosa é de 60 mg/dia, que é maior do que a dose usualmente empregada para depressão.

Qual a importância da terapia cognitivo-comportamental na bulimia nervosa?

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada a abordagem de primeira linha e mais eficaz para a bulimia nervosa, atuando na modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais relacionados à alimentação e imagem corporal.

Quais são os sinais clínicos que podem sugerir bulimia nervosa?

Sinais clínicos que podem sugerir bulimia nervosa incluem hipertrofia de glândulas parótidas, erosão do esmalte dentário, calosidades no dorso das mãos (sinal de Russel) devido à autoindução de vômitos, e flutuações de peso.

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