H.pylori e Úlcera Gástrica: Tratamento e Erradicação

FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Uma mulher de 40 anos procura o ambulatório de gastroenterologia encaminhada pelo clínico geral, com queixas dispépticas e uma E.D.A. (Endoscopia Digestiva Alta) com o seguinte laudo: úlcera em antro gástrico A2 de Sakita, Forrest IIc. As biópsias mostram inflamação, sem metaplasia e com H.pylori positivo. Responda a alternativa CORRETA, sobre o caso:

Alternativas

  1. A) Não há necessidade de nova E.D.A. com novas biópsias gástricas após o tratamento correto. 
  2. B) A classificação de Forrest no caso seria sangramento ativo “babando”.
  3. C) O tratamento ideal seria amoxicilina 1 g + claritromicina 500 mg 12-12hs por 7-10 dias associado a um I.B.P. (Inibidor de Bomba de Prótons).
  4. D) O exame sorológico para H.pylori seria um ótimo exame para confirmar erradicação após o tratamento. 

Pérola Clínica

Úlcera gástrica + H.pylori positivo → Esquema tríplice com IBP, amoxicilina e claritromicina por 7-14 dias.

Resumo-Chave

A presença de H.pylori é a principal causa de úlcera péptica. O tratamento de erradicação é fundamental para a cicatrização da úlcera e prevenção de recorrências. O esquema tríplice padrão, com um inibidor de bomba de prótons (IBP) e dois antibióticos (amoxicilina e claritromicina), é a primeira linha de tratamento.

Contexto Educacional

A úlcera péptica, especialmente a gástrica, é uma condição comum na gastroenterologia, frequentemente associada à infecção por Helicobacter pylori. A identificação do H.pylori é crucial, pois sua erradicação é a chave para a cicatrização da úlcera e prevenção de recorrências e complicações, como sangramento ou perfuração. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsias é o método diagnóstico padrão-ouro, permitindo a visualização direta da úlcera, sua classificação (como Forrest para estigmas de sangramento) e a coleta de material para histopatologia e pesquisa de H.pylori. A fisiopatologia da úlcera péptica por H.pylori envolve a colonização da mucosa gástrica pela bactéria, que induz inflamação e altera os mecanismos de defesa da mucosa, levando à formação da úlcera. O diagnóstico é confirmado pela histopatologia das biópsias, teste rápido da urease na EDA, teste respiratório da ureia ou pesquisa de antígeno fecal. A classificação de Sakita A2 indica uma úlcera em fase de cicatrização, enquanto Forrest IIc indica uma úlcera com base limpa, sem sangramento ativo, mas com baixo risco de ressangramento. O tratamento ideal para úlcera gástrica associada a H.pylori é o esquema tríplice padrão, que consiste em um Inibidor de Bomba de Prótons (IBP) em dose dupla, amoxicilina 1g e claritromicina 500mg, ambos a cada 12 horas, por um período de 7 a 14 dias. A duração de 14 dias tem demonstrado melhores taxas de erradicação em algumas regiões. Após o tratamento, é fundamental confirmar a erradicação do H.pylori, preferencialmente com teste respiratório da ureia ou antígeno fecal, e em úlceras gástricas, uma nova EDA com biópsias é recomendada para confirmar a cicatrização e excluir malignidade, mesmo que as biópsias iniciais não mostrem metaplasia.

Perguntas Frequentes

O que significa a classificação de Forrest IIc em uma úlcera gástrica?

A classificação de Forrest IIc indica uma úlcera com base limpa, sem estigmas de sangramento recente, mas com fibrina ou coágulo aderido que não sangra ativamente. Isso sugere um baixo risco de ressangramento.

Por que a biópsia é importante no diagnóstico de úlcera gástrica com H.pylori?

A biópsia é crucial para confirmar a presença de H.pylori e, mais importante, para excluir malignidade, especialmente em úlceras gástricas, que têm um risco maior de serem neoplásicas do que as duodenais.

Quais são os métodos mais adequados para confirmar a erradicação do H.pylori após o tratamento?

Os métodos mais confiáveis para confirmar a erradicação são o teste respiratório da ureia, a pesquisa de antígeno fecal ou a biópsia gástrica (teste rápido da urease ou histopatologia) realizada pelo menos 4 semanas após a interrupção do IBP e 2 semanas após os antibióticos.

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