UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 37 anos, com diagnóstico recente de tuberculose (TB) pulmonar em tratamento. A equipe de saúde identifica que sua esposa de 35 anos e seu filho de 15 anos têm diagnóstico de TB ativa.Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento encurtado com 2 meses de rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol, seguido por 2 meses de rifampicina + isoniazida,
Tratamento encurtado de TB (4 meses) → indicado para >10 anos com TB pulmonar não grave (não cavitária, não miliar, TRM-TB não detectado).
O esquema de tratamento encurtado para tuberculose (4 meses) foi incorporado no Brasil para casos selecionados de TB pulmonar não grave em maiores de 10 anos. Os critérios são rígidos e incluem ausência de cavidades, padrão miliar ou resistência detectada, visando otimizar a adesão e reduzir a exposição aos fármacos.
O tratamento padrão para tuberculose sensível aos fármacos de primeira linha tem sido, por décadas, um regime de 6 meses. No entanto, a longa duração do tratamento é um desafio para a adesão do paciente, podendo levar ao abandono e, consequentemente, à falha terapêutica e ao desenvolvimento de resistência. Nesse contexto, esquemas mais curtos são altamente desejáveis para a saúde pública. Baseado em evidências robustas, como o estudo SHINE, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil incorporaram um esquema de tratamento encurtado de 4 meses para um grupo selecionado de pacientes. Este regime consiste em 2 meses de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguidos por 2 meses de rifampicina e isoniazida. Contudo, a indicação é restrita e exige critérios rigorosos para garantir a eficácia. O paciente deve ter 10 anos ou mais e apresentar uma forma de tuberculose pulmonar não grave. Isso é definido clinicamente (sintomas leves, sem necessidade de internação) e radiologicamente (doença confinada a um lobo, sem cavidades ou padrão miliar). Além disso, o teste rápido molecular para TB (TRM-TB) no escarro deve ser não detectado, indicando baixa carga bacilar. Pacientes com HIV, diabetes descompensado ou outras imunossupressões graves não são elegíveis para o esquema encurtado.
O raio-X de tórax deve mostrar doença confinada a um lobo, sem a presença de cavidades e sem padrão miliar. Essas características indicam uma forma menos extensa e menos grave da doença, sendo um pré-requisito para a eficácia do esquema mais curto.
O TRM-TB não detectado sugere uma baixa carga bacilar (paucibacilar), condição na qual o tratamento encurtado demonstrou não inferioridade. Além disso, o TRM-TB também rastreia resistência à rifampicina, que é uma contraindicação absoluta para este esquema.
Não. Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde para o esquema de 4 meses é restrita a casos de tuberculose pulmonar em pessoas com 10 anos ou mais que preencham todos os critérios de não gravidade. Formas extrapulmonares ou graves exigem o tratamento padrão de 6 meses ou mais.
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