Encefalopatia Hepática: Tratamento e Manejo Clínico

Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015

Enunciado

Mesmo que até no presente momento não existam evidências científicas suficientes para determinar o tratamento farmacológico considerado "padrão ouro" para a encefalopatia hepática, pode-se AFIRMAR:

Alternativas

  1. A) Os dissacarídeos não absorvíveis, como o lactitol e a lactulona, são considerados os fármacos iniciais de escolha pela maioria. 
  2. B) Deve-se sempre adotar a dieta hipoproteica, independente da condição nutricional do paciente cirrótico. 
  3. C) O emprego de medidas habitualmente utilizadas para a reversão do quadro é mais importante do que corrigir o fator precipitante.
  4. D) O sulfato de neomicina é fortemente contraindicado devido ao potencial de ototoxicidade e nefrotoxicidade. 
  5. E) A L-ornitina L-aspartato (LOLA) não tem aplicabilidade no tratamento da Encefalopatia Hepática.

Pérola Clínica

Encefalopatia hepática: Lactulona/lactitol são 1ª linha para reduzir amônia intestinal.

Resumo-Chave

Os dissacarídeos não absorvíveis, como a lactulona, atuam acidificando o cólon e convertendo amônia (NH3) em íon amônio (NH4+), que não é absorvido e é excretado nas fezes, reduzindo assim a hiperamonemia sistêmica, principal fator na fisiopatologia da encefalopatia hepática.

Contexto Educacional

A encefalopatia hepática (EH) é uma complicação neuropsiquiátrica da doença hepática crônica ou aguda grave, caracterizada por um espectro de manifestações neurológicas e psiquiátricas. Sua prevalência é alta em pacientes com cirrose, impactando significativamente a qualidade de vida e a mortalidade. É fundamental para residentes reconhecer e manejar essa condição. A fisiopatologia da EH é complexa, mas a hiperamonemia é o principal fator etiológico. A amônia, produzida no intestino, não é adequadamente metabolizada pelo fígado doente e atinge o cérebro, causando disfunção neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, e pode ser confirmado pela exclusão de outras causas de alteração do estado mental em pacientes com doença hepática. O tratamento da EH visa reduzir a produção e absorção de amônia. Os dissacarídeos não absorvíveis, como a lactulona, são a primeira linha de tratamento, seguidos por antibióticos não absorvíveis como a rifaximina em casos refratários ou para profilaxia. A correção dos fatores precipitantes é tão importante quanto o tratamento farmacológico. A dieta hipoproteica não é mais rotineiramente recomendada, exceto em casos muito específicos, devido ao risco de desnutrição.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo de ação da lactulona na encefalopatia hepática?

A lactulona é um dissacarídeo não absorvível que, ao ser metabolizado por bactérias colônicas, acidifica o lúmen intestinal. Isso promove a conversão da amônia (NH3) em íon amônio (NH4+), que não é absorvido e é excretado nas fezes, diminuindo a hiperamonemia sistêmica.

Quais são os principais fatores precipitantes da encefalopatia hepática?

Os fatores precipitantes incluem sangramento gastrointestinal, infecções (peritonite bacteriana espontânea), desidratação, uso de diuréticos, constipação, sedativos e disfunção renal. A correção desses fatores é crucial para o manejo.

Quando outros fármacos, como a rifaximina, são indicados na encefalopatia hepática?

A rifaximina, um antibiótico não absorvível, é indicada como terapia adjuvante à lactulona, especialmente em casos refratários ou para profilaxia secundária. Ela atua reduzindo a produção de amônia por bactérias intestinais.

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