UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021
Durante uma visita domiciliar a um território antes descoberto pela Estratégia de Saúde da Família, a equipe verifica que dez crianças, entre 2 e 5 anos de idade, com condições precárias de higiene, apresentam características compatíveis com parasitoses intestinais, com pequenas variações dos sinais e dos sintomas. Ao exame clínico, algumas têm o abdômen distendido, diarreia e falta de apetite. Outras relatam eliminação de vermes. As famílias residem próximas umas às outras, numa grande chácara onde há criação de porcos, galinhas e animais domésticos. A água de consumo das famílias vem de uma lagoa próxima à propriedade. Horta e pomar também são irrigados com essa água. Todas as crianças frequentam a creche da comunidade. Não há tratamento de água e esgoto na região.GUSSO, G. (Org.); LOPES, J. M. C. (Org.); DIAS, L. C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 2a. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.Diante desse cenário, a conduta correta a ser adotada pelo médico da Estratégia de Saúde da Família é
Crianças em área de risco com sintomas de parasitose → tratamento empírico com Albendazol + educação em saúde.
Em cenários de alta prevalência e condições sanitárias precárias, o tratamento empírico com anti-helmínticos de amplo espectro como o Albendazol é a conduta mais adequada, especialmente na ausência de dados epidemiológicos locais. A educação em saúde e melhoria do saneamento são cruciais para prevenção.
As parasitoses intestinais representam um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões com saneamento básico deficiente e condições socioeconômicas precárias. Afetam predominantemente crianças, causando desnutrição, anemia, retardo no desenvolvimento e absenteísmo escolar. A Estratégia de Saúde da Família (ESF) desempenha um papel fundamental na identificação e manejo desses casos, atuando na prevenção e tratamento em nível comunitário. O diagnóstico das parasitoses intestinais é classicamente feito por exame parasitológico de fezes. No entanto, em cenários de alta prevalência e recursos limitados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam o tratamento empírico ou em massa (quimioterapia preventiva) com anti-helmínticos de amplo espectro, como o Albendazol ou Mebendazol, para grupos de risco. Essa abordagem visa reduzir a carga parasitária na comunidade e interromper o ciclo de transmissão, sendo mais custo-efetiva do que o rastreamento individual. A conduta correta envolve a prescrição de um fármaco de amplo espectro, como o Albendazol, para todas as crianças em risco, acompanhada de educação em saúde. As medidas educativas devem abordar a importância da higiene pessoal (lavagem das mãos), higiene alimentar (lavar frutas e vegetais), consumo de água potável e a necessidade de saneamento básico adequado. A melhoria das condições sanitárias e o acesso à água tratada são intervenções de longo prazo essenciais para o controle sustentável das parasitoses.
O tratamento empírico é indicado em comunidades com alta prevalência de parasitoses e condições sanitárias precárias, especialmente quando há sintomas sugestivos e dificuldade de acesso a exames laboratoriais.
O Albendazol é um anti-helmíntico de amplo espectro, eficaz contra diversas verminoses. É frequentemente utilizado em programas de tratamento em massa devido à sua eficácia, segurança e posologia conveniente (dose única).
Medidas essenciais incluem lavagem das mãos, consumo de água tratada, saneamento básico adequado, higiene alimentar e evitar o contato com fezes de animais e humanos.
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