PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Homem de 62 anos, tabagista 40 anos/maço, obeso, procura atendimento devido a quadro de dispneia progressiva há 3 anos, associada a tosse produtiva com expectoração amarelada mais intensa pela manhã, que clareia ao longo do dia. Atualmente, sente dispneia mesmo para pentear os cabelos. Informa duas passagens na UPA no ano anterior devido a quadro de ''gripe forte'' e piora importante da dispneia, tendo feito uso de antibioticoterapia nas duas ocasiões. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral, FC 90 bpm, FR 25 irpm, PA 120/80 mmHg, Sat 02 em ar ambiente 90%. Ao exame do aparelho respiratório, apresenta tempo expiratório prolongado com contração de musculatura abdominal, murmúrio vesicular diminuído e crepitações móveis grosseiras protoinspiratórias e expiratórias. Edema de membros inferiores 2+/4+. Fígado de borda romba, amolecido, palpável a 7cm do rebordo costal direito. Sobre o arsenal terapêutico disponível para este paciente, é ERRADO afirmar:
Corticoide sistêmico NÃO é tratamento de manutenção para DPOC estável; reservado para exacerbações agudas.
O uso de corticoides sistêmicos não é recomendado para o tratamento de manutenção da DPOC estável devido aos efeitos adversos significativos e à falta de benefício comprovado a longo prazo. Seu uso é restrito a exacerbações agudas da doença.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, cujo manejo adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbimortalidade. O arsenal terapêutico é vasto, mas seu uso deve ser guiado por diretrizes baseadas em evidências, como as da GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease). Os broncodilatadores de longa ação (LABA e LAMA) são a pedra angular do tratamento da DPOC estável, melhorando a dispneia e a função pulmonar. A terapia combinada com LABA/LAMA é frequentemente mais eficaz. Corticoides inalatórios (CI) são adicionados em pacientes com maior risco de exacerbações, especialmente aqueles com eosinofilia sanguínea ou histórico de asma. A terapia tripla (LABA/LAMA/CI) pode ser considerada em casos selecionados. O uso de azitromicina a longo prazo tem demonstrado reduzir a frequência de exacerbações em pacientes com DPOC grave e histórico de exacerbações, devido às suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras. No entanto, o uso de corticoides sistêmicos para o tratamento de manutenção da DPOC estável é contraindicado. Eles são reservados para o manejo de exacerbações agudas, onde podem reduzir a inflamação e acelerar a recuperação, mas seu uso crônico está associado a múltiplos efeitos adversos sem benefício sustentado na doença estável.
O corticoide sistêmico é indicado principalmente para o tratamento de exacerbações agudas da DPOC, geralmente em cursos curtos, para reduzir a inflamação e melhorar a função pulmonar.
A azitromicina em uso a longo prazo, em pacientes selecionados com DPOC grave e histórico de exacerbações frequentes, pode ter um efeito anti-inflamatório e imunomodulador, reduzindo a frequência de exacerbações.
Os broncodilatadores de longa ação (LABA e LAMA) são a base do tratamento da DPOC estável, pois melhoram os sintomas, a função pulmonar, a tolerância ao exercício e reduzem a frequência de exacerbações, sendo usados isoladamente ou em terapia combinada.
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