Tuberculose Pulmonar: Conduta e TDO na Atenção Primária

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Mulher de 33 anos chega à unidade básica de saúde encaminhada por unidade de urgência. Entrega um receituário com prescrição do início de tratamento de tuberculose. A radiografia de tórax mostra cavitação de dois cm de diâmetro em ápice de hemitórax direito, e exame de pesquisa do bacilo álcool-ácido resistente positivo (BAAR +++). O peso da paciente não está anotado. A conduta correta segundo o Programa Nacional de Controle da Tuberculose é:

Alternativas

  1. A) Reiniciar a investigação com a realização de uma cultura de escarro.
  2. B) Encaminhá-la para a farmácia para a dispensação da medicação (auto-administrado), agendar retorno em 30 dias e buscar todos os contatos domiciliares.
  3. C) Reinvestigar o caso buscando confirmação clínica epidemiológico, realizar a notificação compulsória na suspeita da doença e investigar os contatos domiciliares. 
  4. D) Realizar acolhimento e avaliação clínica adequada, iniciar o uso do tratamento diretamente observado (supervisionado), notificar o caso e investigar os contatos.
  5. E) Reencaminhar a paciente para a unidade de emergência solicitando relatório consubstanciado.

Pérola Clínica

Tuberculose BAAR +++ com cavitação → Iniciar TDO, notificar e investigar contatos na atenção primária.

Resumo-Chave

Diante de um caso confirmado de tuberculose pulmonar bacilífera (BAAR +++ e cavitação), a conduta prioritária na atenção primária é iniciar o Tratamento Diretamente Observado (TDO), que garante a adesão e o sucesso terapêutico. Além disso, a notificação compulsória e a investigação dos contatos são essenciais para o controle epidemiológico da doença.

Contexto Educacional

A tuberculose é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, sendo um grave problema de saúde pública no Brasil. A forma pulmonar bacilífera, caracterizada pela presença do bacilo no escarro (BAAR positivo), é a mais importante epidemiologicamente, pois o paciente é uma fonte de infecção. O Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) estabelece as diretrizes para o diagnóstico, tratamento e controle da doença no país. O diagnóstico da tuberculose pulmonar é feito pela baciloscopia de escarro (BAAR), cultura e teste de sensibilidade, além de exames de imagem como a radiografia de tórax. A presença de cavitação na radiografia e BAAR +++ indica alta carga bacilar e maior potencial de transmissão. O tratamento é prolongado e requer adesão rigorosa para evitar falhas terapêuticas e o surgimento de resistência. A conduta na atenção primária para um caso confirmado de tuberculose pulmonar bacilífera inclui o acolhimento do paciente, a avaliação clínica completa, o início imediato do Tratamento Diretamente Observado (TDO), a notificação compulsória do caso ao sistema de informação e a investigação ativa dos contatos domiciliares e próximos. O TDO é a estratégia mais eficaz para garantir a adesão e o sucesso do tratamento, prevenindo o abandono e a disseminação da doença.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do Tratamento Diretamente Observado (TDO) na tuberculose?

O TDO é fundamental para garantir a adesão do paciente ao tratamento, reduzir as taxas de abandono, prevenir o desenvolvimento de resistência medicamentosa e aumentar as chances de cura, sendo uma estratégia prioritária do PNCT.

Quando a notificação da tuberculose é compulsória?

A notificação da tuberculose é compulsória para todos os casos diagnosticados, independentemente da forma clínica, e deve ser realizada em até 7 dias após o diagnóstico, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.

Como é feita a investigação de contatos em casos de tuberculose?

A investigação de contatos visa identificar pessoas que conviveram com o paciente bacilífero, buscando casos ativos de tuberculose ou infecção latente, para tratamento preventivo e controle da cadeia de transmissão.

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