MedEvo Simulado — Prova 2026
Marcos, 38 anos, em situação de rua há cerca de 3 anos, é abordado por uma equipe de Consultório na Rua durante uma ação territorial. Ele relata tosse produtiva há mais de um mês, acompanhada de sudorese noturna e emagrecimento importante. Relata que já iniciou tratamento para tuberculose anteriormente, mas parou após duas semanas por dificuldade de comparecer à unidade de saúde. A equipe realiza a coleta de escarro e o Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), que detecta a presença de Mycobacterium tuberculosis sensível à rifampicina. Considerando a vulnerabilidade do paciente e as diretrizes operacionais da Estratégia Saúde da Família e do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, qual é a conduta mais adequada para o manejo do tratamento?
População em situação de rua + TB → TDO via Consultório na Rua ou rede de apoio.
O manejo da tuberculose em populações vulneráveis prioriza o Tratamento Diretamente Observado (TDO) para garantir a adesão, utilizando equipes móveis como o Consultório na Rua.
A tuberculose em pessoas em situação de rua apresenta incidência significativamente superior à população geral, exigindo estratégias de saúde pública diferenciadas. O estigma, a insegurança alimentar e a dificuldade de acesso às unidades fixas de saúde contribuem para o abandono do tratamento, o que favorece o surgimento de cepas multirresistentes. As diretrizes brasileiras enfatizam a descentralização do cuidado e a importância do vínculo entre equipe e paciente. O manejo clínico deve ser acompanhado de suporte social. O TDO não deve ser visto como uma medida punitiva ou de vigilância estrita, mas como uma ferramenta de cuidado compartilhado. A escolha do local para a observação da dose deve ser pactuada com o paciente, podendo ocorrer na Unidade Básica de Saúde, no Consultório na Rua ou em equipamentos da assistência social (CRAS/CREAS).
O TDO consiste na observação da ingestão dos medicamentos por um profissional de saúde ou pessoa treinada, visando fortalecer o vínculo e garantir a adesão ao esquema terapêutico. É indicado para todos os casos de tuberculose, mas torna-se imperativo em populações de maior vulnerabilidade social, como pessoas em situação de rua, onde as barreiras ao tratamento convencional são elevadas. A frequência ideal é de cinco vezes por semana, com o mínimo de três observações semanais para ser considerado TDO.
As equipes de Consultório na Rua (eCR) são fundamentais para o acesso à saúde dessa população. Elas realizam a busca ativa de sintomáticos respiratórios, coleta de exames no território e a operacionalização do TDO. Devido à mobilidade e instabilidade de moradia, a eCR adapta o cuidado às necessidades do paciente, muitas vezes realizando a entrega e observação da medicação em locais públicos ou centros de acolhida, reduzindo as taxas de abandono.
Não se deve retardar o início do tratamento em pacientes sintomáticos com Teste Rápido Molecular (TRM-TB) positivo. O TRM-TB detecta o DNA do complexo M. tuberculosis e a resistência à rifampicina em poucas horas. Embora a cultura e o teste de sensibilidade (TS) devam ser solicitados em casos de retratamento ou suspeita de resistência, o esquema básico (RHZE) deve ser iniciado imediatamente se houver sensibilidade à rifampicina detectada no TRM.
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