HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025
Homem de 60 anos comparece para avaliação de diabetes. Ele recebeu o diagnóstico há cerca de oito anos, quando iniciou uso de metformina, 2.000 mg/dia, mas desde então não tem seguimento médico. Seu índice de massa corporal é 38 kg/m². Seus exames mostram glicemia de jejum 312 mg/dI; hemoglobina glicosilada (HbA1c) 12%; sumário de urina normal e microalbuminúria de 100 mg/24h (ref.: < 30 mg/24h). Qual seria a ação farmacológica mais desejável ao acrescentar um medicamento adicional, nesse caso, dentre as opções atuais?
HbA1c > 10% ou glicemia > 300 mg/dL → considerar terapia injetável (insulina ou análogo de GLP-1) para controle glicêmico rápido.
Em pacientes com DM2 e hiperglicemia acentuada (HbA1c > 10%), a terapia com agentes injetáveis como insulina basal ou agonistas do receptor de GLP-1 é fundamental. A escolha leva em conta a necessidade de potência, perda de peso e proteção cardiorrenal.
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica de alta prevalência, caracterizada por resistência à insulina e disfunção progressiva das células beta pancreáticas. O manejo de pacientes com DM2 descompensado, especialmente aqueles com obesidade e complicações como a microalbuminúria, representa um desafio clínico significativo e um tema frequente em provas de residência. A fisiopatologia envolve uma combinação de fatores. A hiperglicemia acentuada (HbA1c > 10%) indica um estado de 'glucotoxicidade', onde os altos níveis de glicose prejudicam ainda mais a secreção e a ação da insulina. O diagnóstico é clínico e laboratorial. A presença de microalbuminúria (30-300 mg/24h) sinaliza nefropatia diabética incipiente, uma complicação microvascular grave. O tratamento deve ser intensificado. A metformina é a primeira linha, mas em casos de descontrole severo, a adição de um agente injetável é mandatória. A insulina basal (A) oferece potente controle glicêmico. Os agonistas do receptor de GLP-1 (B) também são muito eficazes, com os benefícios adicionais de perda de peso e proteção cardiorrenal, tornando-se uma opção preferencial em pacientes com obesidade e doença cardiovascular estabelecida ou de alto risco.
A insulinoterapia é indicada em DM2 com hiperglicemia acentuada (HbA1c > 10% ou glicemia > 300 mg/dL), sintomas catabólicos (perda de peso), ou falha no controle com múltiplos agentes não insulínicos. Também pode ser usada temporariamente em situações de estresse agudo.
Os agonistas de GLP-1 promovem perda de peso significativa, suprimem o apetite, retardam o esvaziamento gástrico e oferecem proteção cardiovascular e renal comprovada, sendo uma excelente opção para pacientes com obesidade e comorbidades.
Ambos são indicados para hiperglicemia grave. A insulina é mais potente na redução glicêmica e essencial em casos de cetoacidose ou estado hiperosmolar. Agonistas de GLP-1 são preferíveis em pacientes com obesidade e risco cardiovascular, desde que não haja contraindicações, devido aos seus benefícios adicionais e menor risco de hipoglicemia.
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