Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021
Homem de 64 anos, com antecedente de hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca. Faz uso de enalapril 20mg de 12 em 12h, hidroclorotiazida 25mg, metformina 2000 mg ao dia, carvedilol 25mg de 12 em 12horas. Traz exames com hemoglobina glicada de 8,1%, microalbuminúria em amostra isolada de urina de 93 mcg/g. Segundo as recomendações da ADA (Amerian Diabetes Association), assinale a melhor terapêutica a ser instituída para o controle do diabetes desse paciente, entre as alternativas abaixo.
DM2 + IC/DRC + HbA1c elevada → Inibidor SGLT2 (Dapaglifozina) é primeira linha para benefício cardiovascular/renal.
Pacientes com diabetes tipo 2 e comorbidades como insuficiência cardíaca ou doença renal crônica (evidenciada pela microalbuminúria) devem ter prioridade para o uso de medicamentos com benefícios cardiorrenais comprovados, como os inibidores de SGLT2 (ex: dapaglifozina), independentemente do controle glicêmico inicial.
O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) é uma doença crônica progressiva que afeta milhões de pessoas globalmente, caracterizada por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. Sua importância clínica reside nas graves complicações micro e macrovasculares, incluindo doença cardiovascular aterosclerótica, insuficiência cardíaca e doença renal crônica, que são as principais causas de morbimortalidade. O manejo do DM2 vai além do controle glicêmico, focando na prevenção dessas complicações. A fisiopatologia do DM2 envolve múltiplos mecanismos, como a resistência à insulina nos tecidos periféricos, a produção hepática excessiva de glicose e a secreção deficiente de insulina. O diagnóstico é feito por exames de glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose ou hemoglobina glicada (HbA1c). A suspeita deve surgir em pacientes com fatores de risco como obesidade, histórico familiar, hipertensão e dislipidemia. A microalbuminúria é um marcador precoce de doença renal diabética. O tratamento do DM2 é multifacetado, incluindo modificações no estilo de vida e farmacoterapia. As diretrizes atuais da American Diabetes Association (ADA) enfatizam a individualização do tratamento, priorizando agentes com benefícios cardiorrenais comprovados em pacientes com comorbidades. Inibidores de SGLT2, como a dapaglifozina, são recomendados para pacientes com insuficiência cardíaca ou doença renal crônica, devido à sua capacidade de reduzir hospitalizações por IC e retardar a progressão da DRC, além do controle glicêmico.
Os inibidores de SGLT2, como a dapaglifozina, oferecem benefícios cardiovasculares (redução de eventos cardiovasculares maiores e hospitalizações por IC) e renais (retardo da progressão da doença renal crônica) em pacientes com diabetes tipo 2, independentemente do controle glicêmico.
Um inibidor de SGLT2 deve ser considerado precocemente em pacientes com DM2 que apresentam doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica, conforme as recomendações da ADA.
A metformina continua sendo a terapia de primeira linha para a maioria dos pacientes com DM2. No entanto, em pacientes com comorbidades cardiorrenais, agentes com benefícios comprovados, como os iSGLT2 ou agonistas de GLP-1, devem ser adicionados ou priorizados.
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