UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Paciente do sexo masculino, 64 anos, hipertenso, em tratamento de insuficiência cardíaca devido infarto do miocárdio anterior, realizou exames para controles clínicos que se mostraram diagnósticos para dislipidemia e diabetes mellitus, sendo introduzido ao seu esquema medicamentoso rosuvastatina e metformina. Nos controles clínicos não se observou redução significativa da HbA1c. De acordo com o quadro exposto, assinale a alternativa abaixo que descreve a conduta correta para o caso.
DM2 + ICFER + HbA1c não controlada com metformina → Adicionar iSGLT2 (Dapagliflozina) para benefício cardiovascular e renal.
Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e doença cardiovascular estabelecida (como insuficiência cardíaca pós-infarto), os inibidores do SGLT2 (iSGLT2), como a dapagliflozina, são a escolha preferencial para intensificação do tratamento, mesmo após metformina, devido aos seus comprovados benefícios cardiovasculares e renais, independentemente do controle glicêmico.
O tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) evoluiu significativamente, com foco não apenas no controle glicêmico, mas também na prevenção de eventos cardiovasculares e renais, especialmente em pacientes de alto risco. A epidemiologia do DM2 mostra uma alta prevalência de comorbidades como hipertensão, dislipidemia e doenças cardiovasculares, tornando essencial uma abordagem terapêutica holística. A escolha da medicação deve ser individualizada, considerando as características do paciente e as evidências de benefício além do controle da glicemia. A fisiopatologia do DM2 envolve resistência à insulina e disfunção das células beta, levando à hiperglicemia. O diagnóstico é feito por exames como HbA1c, glicemia de jejum ou teste oral de tolerância à glicose. Em pacientes com doença cardiovascular estabelecida, como insuficiência cardíaca pós-infarto, a prioridade é a proteção cardiovascular. Os inibidores do SGLT2 (iSGLT2), como a dapagliflozina, atuam bloqueando a reabsorção de glicose e sódio nos túbulos renais, promovendo glicosúria e natriurese, o que resulta em redução da glicemia, peso e pressão arterial, além de benefícios hemodinâmicos e renais diretos. O tratamento do DM2 em pacientes com insuficiência cardíaca deve incluir metformina como primeira linha, se tolerada e não contraindicada. Se o controle glicêmico for inadequado ou se houver doença cardiovascular estabelecida, a adição de um iSGLT2 é fortemente recomendada. O prognóstico desses pacientes melhora substancialmente com a introdução de terapias que oferecem proteção cardiovascular e renal. É crucial que o residente esteja atento às diretrizes atuais que priorizam essas classes de medicamentos em cenários de alto risco, antes de escalar para insulinoterapia, que, embora eficaz no controle glicêmico, não oferece os mesmos benefícios cardiovasculares diretos.
A dapagliflozina, um inibidor do SGLT2, deve ser considerada precocemente em pacientes com DM2 que possuem doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica, devido aos seus benefícios comprovados na redução de eventos cardiovasculares e progressão da doença renal, independentemente do controle glicêmico inicial.
Os inibidores SGLT2 demonstraram reduzir hospitalizações por insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular em pacientes com ICFER, mesmo na ausência de diabetes. Eles atuam promovendo diurese osmótica, natriurese e melhorando a função cardíaca e renal.
A metformina é geralmente mantida como terapia de primeira linha e base em pacientes com DM2, a menos que haja contraindicações ou intolerância. Ela possui um bom perfil de segurança, baixo custo e benefícios na redução de eventos cardiovasculares, sendo compatível com a maioria das outras classes de antidiabéticos.
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