UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022
Paciente masculino, 58 anos, hipertenso e diabético, vem com queixa de dispneia aos esforços, que tem piorado progressivamente e, atualmente, ocorre com moderada intensidade, acompanhada de tosse seca eventual, principalmente noturna. Faz uso irregular de losartana, hidroclorotiazida, metformina e gliclazida. No exame físico, foi observado o seguinte: ritmo cardíaco regular, crepitações em bases pulmonares e edema de membros inferiores 2+/4+, PA de 150 x 100 mmHg, FC 96 e FR 24. Os resultados dos exames trazidos pelo paciente foram os seguintes: Hb 14, Ht 42%, glicose 178 mg/dL, HbA1C 9,4%, ureia 61 mg/dL (15 – 45 mg/dL), creatinina 1,1 mg/dL (0,4 – 1,2 mg/dL), sódio 140 mEq/L (135 – 145 mEq/L), potássio 4,8 mEq/L (3,5 – 5,5 mEq/L), BNP 624 pg/mL e ecocardiograma com fração de ejeção de 56%. Considerando as comorbidades do paciente, a estratégia mais indicada para melhora do controle glicêmico do paciente é a introdução de
DM2 + IC com FE preservada + disfunção renal inicial → Empagliflozina (inibidor SGLT2) para controle glicêmico e benefício cardiorrenal.
O paciente apresenta Diabetes Mellitus tipo 2 descompensado (HbA1C 9,4%), hipertensão, sinais de insuficiência cardíaca (dispneia, edema, crepitações, BNP elevado) com fração de ejeção preservada (FE 56%), e disfunção renal inicial (ureia elevada). A empagliflozina, um inibidor de SGLT2, é a escolha mais indicada por seus comprovados benefícios cardiovasculares (redução de hospitalizações por IC) e renais, além do controle glicêmico, sendo superior às outras opções neste cenário de múltiplas comorbidades.
O paciente apresenta um quadro complexo de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) descompensado, hipertensão arterial sistêmica e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP), além de evidências de disfunção renal. A ICFEP é uma condição comum em pacientes diabéticos e hipertensos, caracterizada por dispneia e edema, com BNP elevado e FE normal. O controle glicêmico inadequado (HbA1C 9,4%) agrava o risco cardiovascular e renal. A fisiopatologia da DM2 envolve resistência à insulina e disfunção das células beta, levando à hiperglicemia crônica. A presença de comorbidades como hipertensão e IC exige uma abordagem terapêutica que vá além do simples controle glicêmico. As diretrizes atuais enfatizam o uso de medicamentos com benefícios cardiovasculares e renais comprovados. Nesse contexto, a empagliflozina, um inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), destaca-se. Estudos como o EMPA-REG OUTCOME e EMPEROR-Preserved demonstraram que a empagliflozina reduz significativamente o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores, hospitalizações por insuficiência cardíaca e progressão da doença renal crônica em pacientes com DM2 e doença cardiovascular estabelecida ou múltiplos fatores de risco, ou em pacientes com ICFEP, independentemente do status diabético. As outras opções (pioglitazona, saxagliptina, alogliptina) não oferecem o mesmo perfil de benefícios cardiorrenais neste cenário.
A empagliflozina, um inibidor de SGLT2, demonstrou reduzir significativamente o risco de hospitalizações por insuficiência cardíaca e eventos cardiovasculares maiores, além de proporcionar benefícios renais, independentemente da presença de diabetes.
Eles atuam inibindo a reabsorção de glicose e sódio nos túbulos renais, promovendo glicosúria e natriurese. Isso leva à redução da pressão arterial, peso, rigidez arterial, melhora da função endotelial e redução da pré e pós-carga cardíaca, além de efeitos diretos no miocárdio e nos rins.
A pioglitazona é contraindicada ou deve ser usada com cautela em IC. Saxagliptina e alogliptina (inibidores de DPP-4) não demonstraram os mesmos benefícios cardiovasculares e renais robustos que os inibidores de SGLT2, especialmente na redução de hospitalizações por IC.
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