DM2 e Doença Cardiovascular: Adição de Dapagliflozina

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Comparece à Unidade de Saúde da Família para seguimento, uma paciente de 65 anos, com diagnóstico confirmado de Diabetes Mellitus Tipo II e doença cardiovascular estabelecida. Faz uso de metformina 500mg 4 comprimidos ao dia, gliclazida 60mg 2 comprimidos ao dia e não atingiu as metas clínicas propostas na última consulta. Taxa de Filtração Glomerular (TFG): 80 ml/min/1.73m2; glicemia de jejum: 220mg/dl; glicemia pós-prandial: 300mg/dl e Hb glicada: 10%. A conduta mais indicada na consulta de hoje é:

Alternativas

  1. A) Suspender todas as medicações e iniciar insulina para a paciente.
  2. B) Associar dapaglifozina 10mg ao tratamento.
  3. C) Encaminhar a paciente para endocrinologia, pois exames estão muito fora da meta.
  4. D) Suspender a metformina e a gliclazida e prescrever dapaglifozina 10mg dia.

Pérola Clínica

DM2 + DCV estabelecida + glicemia descontrolada → Adicionar iSGLT2 (Dapagliflozina) para benefício cardiovascular e renal.

Resumo-Chave

Em pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 2 e doença cardiovascular estabelecida, os inibidores de SGLT2 (como a dapagliflozina) são a classe de medicamentos de escolha para adicionar ao tratamento, devido aos seus comprovados benefícios cardiovasculares e renais, independentemente do controle glicêmico inicial. A TFG de 80 ml/min/1.73m2 permite o uso.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica crônica que afeta milhões de pessoas, sendo a doença cardiovascular (DCV) sua principal causa de morbimortalidade. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multifacetada, visando não apenas o controle glicêmico, mas também a proteção cardiovascular e renal. A fisiopatologia do DM2 envolve resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. Em pacientes com DCV estabelecida, as diretrizes atuais priorizam o uso de medicamentos com benefícios cardiovasculares comprovados, como os inibidores de SGLT2 (iSGLT2) ou os agonistas do receptor de GLP-1 (arGLP-1), independentemente do nível de HbA1c, após a metformina. A dapagliflozina, um iSGLT2, é uma excelente opção para este cenário, pois demonstrou reduzir eventos cardiovasculares e hospitalizações por insuficiência cardíaca, além de retardar a progressão da doença renal crônica. Sua adição ao esquema terapêutico atual, que já inclui metformina e gliclazida, é a conduta mais adequada para otimizar o tratamento e melhorar o prognóstico da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais benefícios dos inibidores de SGLT2 em pacientes com DM2 e DCV?

Os inibidores de SGLT2 demonstraram reduzir eventos cardiovasculares maiores (MACE), hospitalizações por insuficiência cardíaca e a progressão da doença renal crônica em pacientes com DM2 e DCV.

Quando a insulinização é a conduta mais indicada para DM2?

A insulinização é indicada quando há falha de múltiplos agentes orais, descompensação hiperglicêmica grave (cetoacidose, estado hiperosmolar), perda de peso inexplicada ou sintomas de hiperglicemia persistente.

Qual a importância da TFG na escolha dos antidiabéticos orais?

A TFG é crucial para ajustar doses ou contraindicar alguns antidiabéticos. Inibidores de SGLT2 podem ser usados com TFG > 30 ml/min/1.73m2, enquanto metformina exige cautela ou redução de dose com TFG < 45 ml/min/1.73m2.

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