Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Mulher, 67 anos, com antecedente de hipertensão arterial, procura atendimento médico com queixa de tristeza persistente, anedonia e pensamentos negativos recorrentes. Refere ainda perda do apetite com emagrecimento de 8 kg no período e insônia. Nota perda de memória e diminuição na capacidade de concentração.A medicação de escolha, dentre as alternativas a seguir, para o tratamento dessa paciente é
Depressão em idoso com insônia e perda de peso → Mirtazapina (melhora sono/apetite).
A mirtazapina é uma excelente escolha para pacientes idosos com depressão que apresentam insônia e perda de peso, pois seus efeitos colaterais incluem aumento do apetite e sedação, que podem ser benéficos nesses casos. Outros antidepressivos podem exacerbar esses sintomas ou ter perfis de efeitos adversos menos favoráveis para essa população.
A depressão em idosos é um desafio clínico significativo, frequentemente subdiagnosticada e subtratada. As manifestações podem ser atípicas, com predominância de sintomas somáticos, cognitivos e queixas de memória, o que pode dificultar o diagnóstico diferencial com demências. A escolha do tratamento farmacológico deve considerar as comorbidades, polifarmácia e o perfil de efeitos colaterais dos antidepressivos, visando minimizar riscos e otimizar a adesão. A mirtazapina destaca-se como uma opção favorável para idosos deprimidos que apresentam insônia e perda de peso. Seu mecanismo de ação, que inclui o bloqueio de receptores alfa-2 adrenérgicos e 5-HT2/5-HT3, resulta em aumento da neurotransmissão noradrenérgica e serotoninérgica. Além disso, seu potente efeito anti-histamínico H1 confere propriedades sedativas e orexígenas, que são particularmente benéficas para pacientes com dificuldade para dormir e apetite reduzido, contribuindo para a melhora do estado nutricional e da qualidade do sono. Outras opções como a bupropiona (ativadora, útil para anedonia, mas pode piorar insônia), paroxetina (ISRS com maior risco de interações e efeitos anticolinérgicos em idosos) e clonazepam (benzodiazepínico, não trata depressão, risco de dependência e quedas) geralmente não são as primeiras escolhas para o perfil de paciente descrito. A quetiapina é um antipsicótico atípico, usado em depressão refratária ou com sintomas psicóticos, mas não como primeira linha para depressão não psicótica em idosos.
A depressão em idosos pode se manifestar com sintomas atípicos, como queixas somáticas, irritabilidade, perda de memória e diminuição da concentração, muitas vezes mimetizando demência. Sintomas como insônia e perda de peso são comuns e devem ser cuidadosamente avaliados.
A mirtazapina é um antidepressivo noradrenérgico e serotoninérgico específico (NaSSA) que, devido ao seu potente efeito anti-histamínico H1, causa sedação e aumento do apetite. Esses efeitos colaterais são benéficos para idosos deprimidos que sofrem de insônia e perda de peso, melhorando a qualidade de vida.
Antidepressivos com forte ação anticolinérgica (como tricíclicos) devem ser evitados devido ao risco de delirium, constipação e retenção urinária. ISRS como a paroxetina podem ter mais interações medicamentosas e efeitos colaterais gastrointestinais ou de ativação, e devem ser usados com cautela, especialmente em pacientes com perda de peso e insônia.
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