SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Uma mulher de 23 anos de idade foi internada devido à cefaleia pulsátil bilateral com fono/fotofobia associada. A paciente relatou estar com náuseas intensas naquele momento e solicitou medicamento para o controle dos sintomas.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o esquema adequado para o controle sintomático, considerando‑se que a paciente não possui alergias.
Crise de enxaqueca com náuseas intensas → Metoclopramida (trata náusea e dor) + Dexametasona (previne recorrência da cefaleia).
No manejo da crise de enxaqueca, é fundamental tratar tanto a dor quanto os sintomas associados. Antagonistas dopaminérgicos como a metoclopramida são eficazes para a náusea e também possuem ação analgésica. A dexametasona é um adjuvante que reduz a inflamação neurogênica, diminuindo a taxa de recorrência da cefaleia.
A enxaqueca, ou migrânea, é uma cefaleia primária neurovascular caracterizada por episódios recorrentes de dor de cabeça, geralmente pulsátil e unilateral, associada a sintomas como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. O manejo da crise aguda, especialmente no ambiente de emergência, visa o alívio rápido e completo da dor e dos sintomas associados, além de prevenir a recorrência precoce. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminovascular, levando à liberação de neuropeptídeos vasoativos (como o CGRP) que causam vasodilatação e inflamação neurogênica estéril. O tratamento agudo deve abordar esses mecanismos. As opções incluem analgésicos, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), triptanos (agonistas serotoninérgicos) e antagonistas dopaminérgicos. Para pacientes com náuseas e vômitos proeminentes, a terapia parenteral é preferível. A combinação de um AINE (ex: cetoprofeno) com um antiemético antagonista dopaminérgico (ex: metoclopramida) é altamente eficaz. A metoclopramida, além de tratar a náusea, possui efeito analgésico próprio. A adição de dexametasona como terapia adjuvante é uma estratégia validada para reduzir a probabilidade de a cefaleia retornar nas horas ou dias seguintes, sendo uma conduta padrão em muitos serviços de emergência.
Sinais de alarme incluem início súbito e explosivo ('thunderclap'), piora progressiva, início após os 50 anos, febre, sinais neurológicos focais, papiledema, rigidez de nuca ou cefaleia desencadeada por esforço físico, tosse ou manobra de Valsalva.
A metoclopramida é um antagonista dopaminérgico que atua como um potente antiemético e pró-cinético, aliviando a náusea e a gastroparesia comuns na enxaqueca. Além disso, seu efeito antidopaminérgico central parece ter uma ação analgésica intrínseca na fisiopatologia da crise.
A dexametasona, administrada como terapia adjuvante, não tem um efeito analgésico agudo significativo, mas atua reduzindo a inflamação neurogênica estéril. Isso diminui de forma comprovada a taxa de recorrência da cefaleia nas 24 a 72 horas após o tratamento inicial.
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