Gota Aguda em DRC: Melhor Tratamento Anti-inflamatório

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 65 anos, hipertenso há 20 anos, faz uso de losartana 100 mg/dia e hidroclorotiazida 25 mg/dia. Renal crônico, está há 5 anos em tratamento conservador. Há 4 dias apresenta dor, edema, calor e rubor exuberantes na 1ª articulação metatarsofalangeana direita. Refere que a primeira vez que apresentou um quadro semelhante foi há cerca de 10 anos, sendo que, no último ano, ocorreram três episódios semelhantes ao atual. Nega trauma no local ou outros sinais ou sintomas. Os exames laboratoriais realizados mostram: Qual a conduta terapêutica inicial mais indicada para controle da inflamação?

Alternativas

  1. A) Alopurinol 300 mg/dia.
  2. B) Colchicina 0,5 mg 2/2 hs.
  3. C) Prednisona 20 mg/dia.
  4. D) Naproxeno 500 mg 12/12 hs.
  5. E) Prednisona 60 mg/dia

Pérola Clínica

Crise aguda de gota em DRC: corticosteroides sistêmicos são preferíveis a AINEs ou colchicina.

Resumo-Chave

Em pacientes com doença renal crônica (DRC), o uso de AINEs é contraindicado devido ao risco de piora da função renal. A colchicina também deve ser usada com cautela e em doses reduzidas na DRC. Corticosteroides sistêmicos, como a prednisona, são a opção mais segura e eficaz para o controle da inflamação em crises agudas de gota nesses pacientes.

Contexto Educacional

A gota é uma doença inflamatória crônica causada pela deposição de cristais de monourato de sódio nas articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia. As crises agudas de gota são caracterizadas por dor intensa, edema, calor e rubor, geralmente afetando a primeira articulação metatarsofalangeana. O manejo da crise aguda visa o rápido controle da inflamação e da dor, enquanto o tratamento a longo prazo foca na redução dos níveis de ácido úrico para prevenir novas crises e complicações. A fisiopatologia da crise gotosa envolve a fagocitose dos cristais de urato pelos macrófagos, levando à ativação do inflamassoma NLRP3 e liberação de citocinas pró-inflamatórias, como a IL-1β. A escolha do tratamento anti-inflamatório na crise aguda é crucial e deve considerar as comorbidades do paciente. Em pacientes com doença renal crônica (DRC), como o caso apresentado, a função renal comprometida restringe o uso de algumas medicações. AINEs são nefrotóxicos e a colchicina tem seu metabolismo e excreção afetados, aumentando o risco de toxicidade. Nesse contexto, os corticosteroides sistêmicos, como a prednisona, emergem como a opção terapêutica mais segura e eficaz para o controle da inflamação na crise aguda de gota em pacientes com DRC. A prednisona em dose de 20-40 mg/dia por 5-10 dias, com ou sem desmame, proporciona alívio rápido dos sintomas sem o risco de piora da função renal associado aos AINEs. O alopurinol, um inibidor da xantina oxidase, é utilizado para o tratamento crônico da hiperuricemia, mas não é indicado para a crise aguda, pois pode prolongá-la ou precipitá-la.

Perguntas Frequentes

Por que AINEs são contraindicados para o tratamento da gota em pacientes com doença renal crônica?

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são contraindicados em pacientes com doença renal crônica (DRC) devido ao risco de piora da função renal, retenção hídrica e eletrólitos, e aumento da pressão arterial, podendo precipitar lesão renal aguda.

Qual a principal vantagem dos corticosteroides no tratamento da gota em pacientes com DRC?

Os corticosteroides sistêmicos, como a prednisona, são vantajosos por sua potente ação anti-inflamatória e por não serem nefrotóxicos na dose e duração habituais para o tratamento da crise aguda, tornando-os a opção mais segura em pacientes com DRC.

Como a colchicina deve ser utilizada em pacientes com doença renal crônica durante uma crise de gota?

A colchicina deve ser usada com extrema cautela e em doses reduzidas em pacientes com DRC, devido ao risco de toxicidade (gastrointestinal, neuromuscular e hematológica) por acúmulo da droga. Em casos de DRC avançada, é frequentemente evitada.

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