FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Paciente de 58 anos, masculino, pardo, aposentado, procedente de São Paulo. Referiu ser portador de gota há 15 anos, a qual se iniciou com crises articulares espaçadas e, ao longo dos anos, foram surgindo tofos gotosos. Nos últimos 10 anos teve várias crises de dor e inflamação no hálux direito, que melhoravam com medicação analgésica não especificada, quando foi informado possuir hipertensão arterial e dislipidemia. Desde então faz uso de Atenolol, Enalapril e Tiazídico. Relata apresentar epigastralgia recorrente em queimação e etilismo social. A presente internação foi motivada por crise aguda com dor intensa em hálux, mãos e ombros, e com infecção de partes moles após tentativa doméstica de drenagem de um tofo gotoso em face plantar de pé esquerdo. Além de iniciar antibioticoterapia para o quadro infeccioso, assinale a afirmativa que corresponde às medidas adequadas para reversão da crise aguda neste caso:
Crise aguda de gota: Colchicina (dose de ataque 1mg, depois 0,5mg/h) + AINEs ou corticoides, compressas geladas.
O tratamento da crise aguda de gota visa aliviar a dor e a inflamação rapidamente. A colchicina é uma opção eficaz, especialmente se iniciada precocemente, com um esquema de dose específico. A associação com AINEs ou corticoides pode otimizar a resposta.
A gota é uma doença inflamatória crônica causada pela deposição de cristais de monourato de sódio nas articulações e tecidos moles, resultando em crises agudas de artrite. A hiperuricemia é o principal fator de risco, mas nem todos os pacientes com hiperuricemia desenvolvem gota. A prevalência da gota tem aumentado globalmente, sendo mais comum em homens e associada a comorbidades como hipertensão, dislipidemia, obesidade e síndrome metabólica. A fisiopatologia da crise aguda envolve a fagocitose dos cristais de urato pelos macrófagos, levando à liberação de citocinas pró-inflamatórias como IL-1β, que desencadeiam uma intensa resposta inflamatória. O diagnóstico é clínico, baseado na dor articular súbita e intensa, rubor, calor e edema, frequentemente no hálux (podagra). A confirmação definitiva é feita pela identificação de cristais de urato em forma de agulha com birrefringência negativa no líquido sinovial. O tratamento da crise aguda visa o alívio rápido da dor e inflamação. As opções incluem colchicina (eficaz se iniciada nas primeiras 24-36 horas), anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) e corticosteroides. A colchicina tem um esquema de dose específico para minimizar efeitos adversos gastrointestinais. Medidas não farmacológicas como repouso e compressas geladas também são úteis. É crucial não iniciar ou ajustar a terapia hipouricemiante (como alopurinol) durante a crise aguda, pois isso pode piorar o quadro.
As principais opções incluem colchicina, anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) e corticosteroides, que podem ser usados isoladamente ou em combinação, dependendo da gravidade e comorbidades do paciente.
Iniciar ou ajustar a dose de medicamentos hipouricemiantes como o alopurinol durante uma crise aguda pode levar a uma mobilização rápida dos cristais de urato, paradoxalmente exacerbando a inflamação e prolongando a crise.
As compressas geladas são uma medida adjuvante importante para aliviar a dor e reduzir a inflamação local nas articulações afetadas durante uma crise aguda de gota.
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