Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2020
Jovem de 25 anos, trazido em prancha rígida e colar cervical, estável, após acidente motociclístico, queixando-se de intensa dor em flanco direito. Na inspeção nota-se hematoma em flanco direito associado à tatuagem correspondente ao cinto de seguranca. Na tomografia de abdome evidenciou-se hematoma hepático subcapsular com < 50% da área superficial, de 7 cm de diâmetro, ausência de “blush” arterial. Paciente permanece estável. A MELHOR conduta neste caso é:
Trauma hepático fechado em paciente estável sem blush arterial → tratamento conservador é a melhor conduta.
Em pacientes com trauma abdominal fechado e lesão hepática, a estabilidade hemodinâmica e a ausência de sangramento ativo (blush arterial na TC) são os pilares para a indicação do tratamento conservador, que é a conduta de escolha para a maioria das lesões hepáticas traumáticas.
O trauma hepático é uma das lesões mais comuns em traumas abdominais fechados, frequentemente associado a acidentes automobilísticos e motociclísticos. A avaliação inicial do paciente traumatizado segue os princípios do ATLS, com foco na estabilização hemodinâmica e identificação de lesões com risco de vida. A importância clínica reside na alta morbimortalidade associada a sangramentos maciços e na necessidade de uma conduta rápida e precisa. A fisiopatologia envolve a ruptura do parênquima hepático ou de vasos sanguíneos, resultando em hematomas ou sangramento livre na cavidade abdominal. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico (dor, hematoma em flanco) e, principalmente, por exames de imagem como a tomografia computadorizada de abdome com contraste, que permite classificar a lesão (escala AAST) e identificar sangramento ativo ("blush" arterial). Suspeita-se em pacientes com trauma de alta energia no abdome superior ou flanco. O tratamento do trauma hepático evoluiu significativamente, com o manejo conservador sendo a conduta de escolha para a maioria dos pacientes hemodinamicamente estáveis, independentemente do grau da lesão. A embolização endovascular pode ser uma opção para controlar sangramentos ativos em pacientes estáveis. A laparotomia exploradora é reservada para pacientes instáveis, com peritonite ou sangramento incontrolável. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas complicações como abscesso, fístula biliar e hemobilia podem ocorrer.
O tratamento conservador do trauma hepático é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite e sem sangramento ativo evidenciado em exames de imagem, como o 'blush' arterial na tomografia.
A estabilidade hemodinâmica é o fator mais crítico na decisão de conduta em pacientes com trauma abdominal. Pacientes instáveis geralmente requerem intervenção cirúrgica imediata, enquanto os estáveis podem ser avaliados para manejo não operatório.
A laparotomia exploradora é indicada em pacientes com trauma hepático que apresentam instabilidade hemodinâmica persistente, peritonite, sangramento ativo maciço ou lesões de outros órgãos que demandem intervenção cirúrgica.
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