USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Paciente, 30 anos, nuligesta, ciclos menstruais com intervalos de 40 dias e duração de 5 dias, em investigação para infertilidade. Realiza biópsia de endométrio com diagnóstico de adenocarcinoma endometrióide, bem diferenciado, grau 1 histológico. A Ressonância Magnética demonstra abdome e pelve normais, útero e anexos normais, limite bem definido entre endométrio e miométrio, sugerindo neoplasia limitada ao endométrio. A paciente deseja preservar a fertilidade.Qual é o tratamento que pode ser considerado para esta paciente?
Adenocarcinoma endometrióide G1, limitado ao endométrio, em nuligesta com desejo de fertilidade → progestagênio alta dose.
Em casos selecionados de adenocarcinoma endometrióide bem diferenciado (grau 1), limitado ao endométrio, em pacientes jovens nuligestas que desejam preservar a fertilidade, o tratamento conservador com progestagênios em alta dose pode ser uma opção viável. Essa abordagem visa induzir a regressão tumoral enquanto se mantém a capacidade reprodutiva.
O adenocarcinoma de endométrio é o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos, afetando principalmente mulheres na pós-menopausa. No entanto, uma pequena porcentagem de casos ocorre em mulheres jovens, muitas vezes associada a fatores de risco como obesidade, anovulação crônica e síndrome dos ovários policísticos. Para essas pacientes jovens e nuligestas que desejam preservar a fertilidade, a abordagem terapêutica tradicional de histerectomia e salpingo-ooforectomia bilateral representa um dilema significativo. Avanços no entendimento da biologia tumoral e na terapia hormonal permitiram o desenvolvimento de estratégias de tratamento conservador. A terapia com progestagênios em alta dose é a principal modalidade para esses casos, especialmente quando o tumor é um adenocarcinoma endometrióide bem diferenciado (grau 1) e limitado ao endométrio, sem invasão miometrial ou metástases. A ressonância magnética desempenha um papel crucial no estadiamento pré-tratamento para confirmar a extensão da doença. Após a terapia conservadora, é essencial um acompanhamento rigoroso com biópsias endometriais seriadas para monitorar a resposta e detectar possíveis recorrências. Embora o tratamento conservador ofereça a chance de gestação, a histerectomia definitiva é frequentemente recomendada após a conclusão do plano reprodutivo, devido ao risco de recorrência e progressão da doença.
O tratamento conservador é considerado para adenocarcinoma endometrióide grau 1, limitado ao endométrio, em pacientes jovens, nuligestas, com desejo de preservar a fertilidade e sem contraindicações à terapia hormonal.
Progestagênios em alta dose atuam induzindo a diferenciação e atrofia do endométrio, levando à regressão do tumor. Eles são a base do tratamento conservador para casos selecionados de câncer de endométrio.
As taxas de resposta completa variam, mas são significativas, especialmente em casos bem selecionados. No entanto, há risco de recorrência, exigindo acompanhamento rigoroso e, muitas vezes, tratamento definitivo após a gestação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo