IECA na ICFER: Redução de Mortalidade e Manejo Clínico

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 55 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica e infarto do miocárdio prévio, apresenta dispneia aos mínimos esforços, edema de membros inferiores e ortopneia. Foi diagnosticado com insuficiência cardíaca congestiva com fração de ejeção reduzida (FE < 40%). Sobre o manejo e as características dessa condição, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A troca de IECA ( Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina) por Sacubitril/Valsartana é indicada para todos os pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, independentemente da persistência de sintoma.
  2. B) Os inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) são indicados em todos os pacientes com insuficiência cardíaca ´com fração de ejeção reduzida, pois reduzem mortalidade e hospitalizações
  3. C) O antagonista de Aldosterona é indicado apenas em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida que apresentam hipocalemia ou hipomagnesemia.
  4. D) O uso de Dapagliflozina ou Empagliflozina é contraindicado em pacientes com insuficiência cardíaca e diabetes mellitus tipo 2, devido ao aumento do risco de cetoacidose diabética.

Pérola Clínica

IECA/BRA são a base do tratamento da ICFER, pois bloqueiam o SRAA, reduzindo remodelamento cardíaco, mortalidade e hospitalizações.

Resumo-Chave

Os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) são uma classe de fármacos fundamental no tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER). Eles atuam no sistema renina-angiotensina-aldosterona, promovendo vasodilatação e reduzindo a retenção de sódio e água, o que diminui a pré e pós-carga e melhora o remodelamento cardíaco.

Contexto Educacional

A Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER), definida por uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 40%, é uma condição crônica e progressiva com alta morbimortalidade. Sua fisiopatologia envolve a ativação de sistemas neuro-hormonais compensatórios, como o sistema nervoso simpático e o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), que a longo prazo são deletérios, causando remodelamento cardíaco e piora da função ventricular. O tratamento farmacológico da ICFER baseia-se em bloquear esses sistemas. Os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), como enalapril e captopril, foram uma das primeiras classes de drogas a demonstrar redução de mortalidade e hospitalizações. Eles inibem a conversão de angiotensina I em angiotensina II, um potente vasoconstritor, diminuindo a pós-carga, a secreção de aldosterona e o remodelamento cardíaco. Por isso, são indicados para todos os pacientes com ICFER, a menos que haja contraindicação. Atualmente, o tratamento evoluiu para uma terapia quádrupla, considerada o padrão-ouro. Além do bloqueio do SRAA (com IECA, BRA ou, preferencialmente, ARNI), inclui-se um betabloqueador, um antagonista do receptor mineralocorticoide e um inibidor do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2). A introdução desses quatro pilares deve ser feita o mais rápido possível para maximizar os benefícios na sobrevida e qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro pilares atuais do tratamento farmacológico da ICFER?

A terapia quadrupla, que modifica a doença, inclui: 1) Inibidor do receptor de angiotensina-neprilisina (ARNI) ou IECA/BRA; 2) Betabloqueador; 3) Antagonista do receptor mineralocorticoide (ex: espironolactona); 4) Inibidor do SGLT2 (ex: dapagliflozina, empagliflozina).

Quando está indicada a troca de um IECA por Sacubitril/Valsartana (ARNI)?

A troca é recomendada para pacientes com ICFER que permanecem sintomáticos (classe funcional NYHA II ou III) apesar de estarem em uso de doses otimizadas de IECA (ou BRA), betabloqueador e antagonista mineralocorticoide, para obter redução adicional de morbimortalidade.

Quais os principais efeitos adversos dos IECAs que devem ser monitorados?

Os principais efeitos adversos a serem monitorados são tosse seca (devido ao acúmulo de bradicinina), hipercalemia e piora da função renal (aumento da creatinina). Angioedema é um efeito adverso raro, porém grave.

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