CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Paciente do sexo feminino, 63 anos, obesa, diabética e hipertensa, apresentou quadro de dor tipo cólica em epigástrio e hipocôndrio direito, intensa, irradiada para o dorso, após alimentação rica em gordura. Refere episódios anteriores de menor intensidade. Seu abdome era globoso, bastante doloroso à palpação em HD, com sinal de Murphy positivo. Foi submetida a ultrassonografia abdominal que evidenciou vesícula distendida com cálculo impactado no seu infundíbulo. Está internada há 4 dias no Hospital Pronto Socorro João Lúcio, sob uso de ceftriaxona e metronidazol e sintomáticos, com melhora discreta do quadro inicial, sem febre. Seu leucograma é 8.500, hematócrito e hemoglobina normais. AST e ALT discretamente elevados, com bilirrubinas normais. Assinale a alternativa CORRETA:
Colecistite aguda: colecistectomia precoce (idealmente <72h) é padrão, mesmo em pacientes com comorbidades, para evitar complicações.
A colecistite aguda calculosa, mesmo com melhora discreta dos sintomas sob antibioticoterapia, tem indicação de colecistectomia precoce. O atraso na cirurgia, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes, aumenta o risco de complicações graves como gangrena ou perfuração. A abordagem laparoscópica não é contraindicada por diabetes ou hipertensão, e a ultrassonografia é o exame de imagem de primeira linha.
A colecistite aguda calculosa é uma condição inflamatória da vesícula biliar, geralmente precipitada pela impactação de um cálculo biliar no ducto cístico. O diagnóstico é clínico (dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, febre, leucocitose) e confirmado por ultrassonografia abdominal, que evidencia sinais de inflamação da vesícula e cálculos. Pacientes com comorbidades como diabetes, obesidade e hipertensão arterial apresentam maior risco de complicações e podem ter uma apresentação atípica ou uma evolução mais grave da doença. O tratamento da colecistite aguda envolve medidas de suporte (jejum, hidratação, analgesia) e antibioticoterapia para cobrir germes entéricos. Contudo, o tratamento definitivo é cirúrgico, através da colecistectomia. As diretrizes atuais, como as de Tokyo, recomendam fortemente a colecistectomia precoce (dentro de 72 horas do início dos sintomas) para a maioria dos pacientes, incluindo aqueles com comorbidades, pois isso reduz significativamente a morbidade e a mortalidade, além de diminuir o risco de conversão para cirurgia aberta. Para residentes, é fundamental reconhecer a importância da intervenção cirúrgica oportuna. A melhora discreta dos sintomas com antibióticos não elimina a necessidade da cirurgia, e o atraso pode levar a complicações sérias como empiema, gangrena ou perfuração da vesícula. A tomografia computadorizada é útil para avaliar complicações, mas a ultrassonografia permanece o exame de escolha para o diagnóstico inicial. A presença de comorbidades não contraindica a cirurgia laparoscópica, que é a via preferencial, mas exige uma avaliação e manejo anestésico mais rigorosos.
A conduta inicial para colecistite aguda calculosa inclui jejum, hidratação venosa, analgesia e antibioticoterapia. No entanto, o tratamento definitivo é a colecistectomia, preferencialmente realizada precocemente.
A colecistectomia precoce (idealmente dentro de 72 horas do início dos sintomas) reduz a taxa de complicações como gangrena, perfuração e formação de abscesso, diminui o tempo de internação e a taxa de conversão para cirurgia aberta, além de ser tecnicamente mais fácil devido à menor inflamação local.
Não, diabetes e hipertensão arterial, embora aumentem o risco anestésico, não contraindicam a abordagem laparoscópica. Comorbidades exigem um manejo perioperatório cuidadoso, mas a colecistectomia laparoscópica ainda é o padrão-ouro e é preferível à cirurgia aberta, mesmo em pacientes de risco.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo