UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015
Paciente, 28 anos, Gesta II para 0 (1 Abortamento espontâneo), refere corrimento vaginal em " borra de café ", atraso menstrual e leves dores na fossa ilíaca esquerda. Ao exame clínico o abdome era doloroso à palpação do baixo ventre, colo embebido e fechado, e o útero de difícil delimitação. O exame ultra-sonográfico revelou útero vazio, ausência de liquido livre na pelve e presença de tumoração anexial esquerda, de ecogenicidade heterogênea, medindo 3,0 cm de diâmetro, sugestiva de prenhez ectópica. Os títulos de b-hCG eram compatíveis com a normalidade para a idade gestacional. A análise deste caso sugere que a melhor conduta seria:
Prenhez ectópica não rota, estável e com massa < 3,5-4 cm → Metotrexato é a conduta inicial.
A conduta para prenhez ectópica depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa anexial e níveis de b-hCG. Em casos de paciente estável, massa pequena e ausência de ruptura, o tratamento clínico com metotrexato é uma opção segura e eficaz, preservando a fertilidade.
A prenhez ectópica é uma condição grave que ocorre quando o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre de gestação. O diagnóstico é feito pela combinação de atraso menstrual, dor abdominal, sangramento vaginal e achados ultrassonográficos (útero vazio com massa anexial) e níveis de b-hCG que não dobram adequadamente. A conduta na prenhez ectópica depende de diversos fatores, como a estabilidade hemodinâmica da paciente, o tamanho da massa anexial, a presença de atividade cardíaca embrionária e os níveis de b-hCG. Para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de ruptura, com massa anexial menor que 3,5-4 cm e b-hCG geralmente abaixo de 5.000 mUI/mL, o tratamento clínico com Metotrexato é uma opção segura e eficaz, com a vantagem de preservar a tuba uterina e a fertilidade futura. O Metotrexato é administrado em dose única intramuscular (50 mg/m² de superfície corporal), seguido de monitorização rigorosa dos níveis de b-hCG até a sua negativação. É crucial que residentes dominem os critérios de seleção para o tratamento clínico e saibam identificar os casos que necessitam de intervenção cirúrgica imediata, como instabilidade hemodinâmica ou sinais de ruptura.
Os critérios incluem paciente hemodinamicamente estável, ausência de ruptura tubária, massa anexial menor que 3,5-4 cm, ausência de atividade cardíaca embrionária, b-hCG < 5.000 mUI/mL e ausência de contraindicações ao Metotrexato.
O Metotrexato é um antagonista do folato que inibe a síntese de DNA e a proliferação celular, sendo citotóxico para as células trofoblásticas. Isso leva à regressão da gravidez ectópica, sendo administrado por via intramuscular.
A cirurgia (laparoscopia ou laparotomia) é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica, sinais de ruptura tubária, falha do tratamento clínico com Metotrexato, contraindicações ao Metotrexato ou massa anexial grande.
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