HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025
Paciente feminina de 19 anos, com quadro de déficit intelectual leve, sexualmente ativa, apresenta disúria e polaciúria há 3 dias, em bom estado geral e sem febre, traz parcial de urina que aponta contagem média de 30.000 leucocitos por ml, bacteriúria e hematúria discreta. Assinale abaixo as condutas de escolha para o tratamento empírico:
Cistite não complicada em mulher → 1ª linha: Fosfomicina (dose única) ou Nitrofurantoína (5 dias).
O tratamento da cistite não complicada visa erradicar a bactéria com um curso curto de antibiótico, minimizando efeitos colaterais e resistência. Fosfomicina em dose única e nitrofurantoína por 5 dias são as escolhas preferenciais devido à alta eficácia e baixo perfil de resistência da E. coli.
A cistite aguda não complicada é uma infecção do trato urinário (ITU) baixo, confinada à bexiga, que ocorre em mulheres não grávidas, na pré-menopausa e sem comorbidades ou anormalidades urológicas. É uma das infecções bacterianas mais comuns na prática clínica, causada predominantemente pela Escherichia coli. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas de disúria, polaciúria e urgência miccional, podendo ser apoiado por um exame de urina simples (EAS ou parcial de urina) que mostra leucocitúria e bacteriúria. O tratamento empírico é a abordagem padrão, e a escolha do antibiótico deve considerar a eficácia, o risco de efeitos colaterais e os padrões de resistência locais. As diretrizes atuais recomendam como primeira linha a fosfomicina trometamol (3g, dose única) ou a nitrofurantoína (100mg, 2x/dia, por 5 dias). Ambas possuem excelente concentração urinária e mantêm baixas taxas de resistência contra E. coli. O Sulfametoxazol-Trimetoprim (SMX-TMP) pode ser uma opção (800/160mg, 2x/dia, por 3 dias), mas apenas em regiões onde a taxa de resistência local da E. coli é inferior a 20%. As fluoroquinolonas devem ser evitadas como primeira linha devido ao seu amplo espectro e ao potencial de induzir resistência e efeitos adversos. O tratamento visa a resolução rápida dos sintomas e a erradicação bacteriana, prevenindo a progressão para pielonefrite.
Sinais de alarme incluem febre, calafrios, dor em flanco (sugestivo de pielonefrite), náuseas, vômitos ou a presença de comorbidades como diabetes descompensado, gravidez, imunossupressão ou anormalidades anatômicas do trato urinário.
Seu uso como primeira linha é limitado a regiões onde a taxa de resistência da E. coli, principal patógeno, é conhecida por ser inferior a 20%. Em muitas localidades, a resistência é alta, tornando-o uma opção menos confiável para tratamento empírico.
A fenazopiridina é um analgésico do trato urinário, não um antibiótico. Ela pode ser usada por 1-2 dias para alívio sintomático rápido da disúria, mas deve ser sempre associada a um tratamento antibiótico definitivo, pois não trata a infecção subjacente.
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