USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Homem, 54 anos de idade, apresentou hematêmese. Realizada endoscopia digestiva alta que evidenciou abaulamento no corpo gástrico (grande curvatura), com pequena úlcera e sinais de sangramento recente. Biópsia revelou tratar-se de tumor estromal do trato gastrointestinal (GIST). Tomografia de tórax e abdome: lesão de 10cm na grande curvatura/corpo gástrico, sem invasões de estruturas adjacentes. Sem sinais de lesões hepáticas ou pulmonares, ascite ou implantes peritoneais. Qual é a melhor conduta?
GIST gástrico localizado >2cm → ressecção cirúrgica SEM linfadenectomia (disseminação hematogênica).
Tumores estromais gastrointestinais (GIST) têm um padrão de disseminação predominantemente hematogênico, com metástases para fígado e peritônio, e raramente para linfonodos. Portanto, a linfadenectomia não é indicada na ressecção cirúrgica de GIST gástrico localizado, mesmo para lesões maiores.
O Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST) é o tumor mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal, originando-se das células intersticiais de Cajal. Embora possa ocorrer em qualquer parte do TGI, o estômago é o local mais frequente. A apresentação clínica pode variar desde achados incidentais até sangramento gastrointestinal, dor abdominal ou massa palpável, como no caso de hematêmese. O diagnóstico é estabelecido por biópsia, que revela células fusiformes ou epitelióides com imunohistoquímica positiva para CD117 (KIT) e/ou DOG1. O estadiamento é crucial para definir a conduta, e a tomografia de tórax e abdome é fundamental para avaliar a extensão da doença e a presença de metástases. O caso descrito apresenta um GIST gástrico de tamanho considerável (10cm), mas sem sinais de invasão local ou metástases à distância. A conduta de escolha para GIST gástrico localizado e ressecável é a cirurgia, que consiste na gastrectomia segmentar ou cuneiforme com margens livres. É fundamental ressaltar que, diferentemente de outros tumores gastrointestinais, o GIST tem um padrão de disseminação predominantemente hematogênico (fígado e peritônio) e raramente linfático. Portanto, a linfadenectomia não é indicada e não confere benefício oncológico, aumentando desnecessariamente a morbidade do procedimento. A terapia neoadjuvante com imatinibe pode ser considerada para tumores muito grandes ou limítrofes, visando reduzir o tamanho e facilitar a ressecção.
O tratamento padrão para GIST gástrico localizado, sem metástases, é a ressecção cirúrgica completa com margens livres, geralmente sem a necessidade de linfadenectomia.
A linfadenectomia não é indicada para GIST porque esses tumores raramente metastatizam para linfonodos. A disseminação é predominantemente hematogênica, para fígado e peritônio.
O imatinibe, um inibidor da tirosina quinase, é utilizado no tratamento adjuvante de GIST de alto risco após a ressecção cirúrgica, ou como terapia neoadjuvante para tumores irressecáveis ou para reduzir o tamanho tumoral antes da cirurgia.
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