Cetoacidose Diabética: Manejo Inicial e Hidratação

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2015

Enunciado

Adolescente de 12 anos, diabético desde os 4 anos, apresentando otite média aguda e descompensação metabólica » cetoacidose. Respiração acidótica e algum grau de confusão mental. Ex laboratoriais: Glicemia: 500 mg/dl; cetonúria ++++; pH 7.1; pCO2 20 mmHg; pO2 98 mmHg; SatO2 97%; bicarbonato 5 mEq/L. Conduta mais apropriada:

Alternativas

  1. A) Hidratação venosa com SF 0,45% e albumina; insulina NPH na 2ª hora; potássio após diurese.
  2. B) Expansão de volume com SF 0,45%, infundindo-se 50ml/kg na 1ª hora e o restante nas 3 horas seguintes; insulinoterapia imediata e bicarbonato de sódio.
  3. C) Reidratação oral na 1ª hora; insulinoterapia imediata em dose suficiente para reduzir glicemia a 150mg/dl; reposição de potássio.
  4. D) Hidratação venosa com SF 0,9% 20ml/kg na 1ª hora e reposição lenta nas 12/24horas seguintes; insulinoterapia na 2ª hora; não repor bicarbonato.
  5. E) Reposição volume com SF 0,9%; insulina NPH associada a regular até que se resolva a acidose; O2 úmido.

Pérola Clínica

CAD grave: Hidratação SF 0,9% (20ml/kg 1ªh), insulina na 2ªh, potássio após diurese, bicarbonato SÓ se pH < 6.9.

Resumo-Chave

O manejo da cetoacidose diabética (CAD) inicia com hidratação vigorosa com soro fisiológico 0,9% para restaurar o volume intravascular. A insulinoterapia deve ser iniciada após a expansão inicial do volume, geralmente na segunda hora. A reposição de potássio é crucial, mas apenas após a confirmação da diurese e monitoramento dos níveis séricos. Bicarbonato de sódio é reservado para casos de acidose muito grave (pH < 6.9 ou 7.0) devido aos riscos.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus, caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. É uma emergência médica que requer tratamento imediato e intensivo. A fisiopatologia envolve a deficiência de insulina e o aumento dos hormônios contrarreguladores, levando à gliconeogênese, glicogenólise e lipólise, com produção excessiva de corpos cetônicos. O manejo da CAD segue uma sequência bem definida. A primeira e mais crucial etapa é a hidratação venosa agressiva com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação severa e restaurar o volume intravascular. A expansão inicial é de 10-20 mL/kg na primeira hora. A insulinoterapia, geralmente com insulina regular intravenosa em infusão contínua, deve ser iniciada após a expansão inicial do volume, para evitar a piora da hipocalemia e o risco de choque. A reposição de potássio é fundamental, pois a acidose e a insulina podem levar à hipocalemia, mas deve ser feita apenas após a confirmação da diurese e monitoramento dos níveis séricos. A administração de bicarbonato de sódio é controversa e geralmente não é recomendada, exceto em casos de acidose extremamente grave (pH < 6.9 ou 7.0), devido aos riscos de edema cerebral, hipocalemia e acidose paradoxal do líquor. O monitoramento contínuo de eletrólitos, glicemia e gasometria é essencial.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade inicial no tratamento da cetoacidose diabética (CAD)?

A prioridade inicial no tratamento da CAD é a hidratação venosa vigorosa com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e restaurar a perfusão tecidual.

Quando a insulinoterapia deve ser iniciada na CAD?

A insulinoterapia deve ser iniciada após a expansão inicial do volume com fluidos, geralmente na segunda hora de tratamento, para evitar a piora da hipocalemia e do choque.

Em que situações o bicarbonato de sódio é indicado na CAD?

O bicarbonato de sódio é reservado para casos de acidose metabólica muito grave, com pH < 6.9 ou 7.0, devido aos riscos de edema cerebral, hipocalemia e acidose paradoxal do líquor.

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