Cetoacidose Diabética: Critérios para Interrupção da Insulina

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Sobre o tratamento da CAD, assinale a afirmativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Quando a glicemia for superior a 500 mg/dl, deve-se fazer uma dose de ataque de insulina regular (1UI/kg) visando redução rápida da glicemia.
  2. B) Quando a glicemia atinge 200 a 250 mg/dl, deve-se suspender a infusão de insulina regular (0,1UI/kg/h) e iniciar com insulina NPH (0,5UI/kg).
  3. C) Enquanto estiver recebendo a infusão de insulina regular (0,1UI/kg/h), o paciente não pode receber alimentação via oral.
  4. D) A interrupção da infusão de insulina regular está condicionada à estabilização da glicemia, normalização do anion GAP (reversão da acidose) e cetonemia negativa.

Pérola Clínica

Na CAD, a insulina é suspensa apenas com glicemia controlada, AG normalizado e cetonemia negativa.

Resumo-Chave

O tratamento da cetoacidose diabética (CAD) visa não apenas reduzir a glicemia, mas principalmente corrigir a acidose metabólica e a cetonemia. A infusão de insulina regular deve ser mantida até que a acidose seja revertida (anion GAP normalizado) e a cetonemia desapareça, mesmo que a glicemia já esteja em níveis mais baixos, quando se adiciona glicose ao soro.

Contexto Educacional

A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência endócrina grave que requer manejo rápido e eficaz. O tratamento visa corrigir a desidratação, a acidose metabólica, a hiperglicemia e os distúrbios eletrolíticos. É crucial para residentes e estudantes de medicina compreenderem que a resolução da CAD não se baseia apenas na normalização da glicemia. A infusão contínua de insulina regular é o pilar do tratamento para inibir a cetogênese e permitir a utilização de glicose pelos tecidos. No entanto, a interrupção da insulina é um ponto crítico. A glicemia pode normalizar antes da acidose e da cetonemia. Portanto, a insulina não deve ser suspensa prematuramente. Quando a glicemia atinge valores entre 200-250 mg/dL, deve-se adicionar glicose ao soro intravenoso (ex: SG 5% ou 10%) para evitar hipoglicemia, enquanto a infusão de insulina é mantida na mesma taxa ou reduzida, mas não suspensa. Os critérios para a interrupção da infusão de insulina e transição para insulina subcutânea incluem: glicemia < 200 mg/dL, fechamento do anion GAP (normalização da acidose metabólica) e cetonemia/cetonúria negativas ou mínimas. A alimentação via oral pode ser iniciada quando o paciente estiver clinicamente estável, sem náuseas ou vômitos, e com a acidose em resolução, geralmente antes da interrupção total da infusão de insulina. A compreensão desses critérios é vital para evitar a recorrência da CAD e garantir a recuperação completa do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais pilares do tratamento da cetoacidose diabética?

Os pilares do tratamento da CAD são a hidratação vigorosa com fluidos intravenosos, a infusão contínua de insulina regular para inibir a cetogênese e reduzir a glicemia, e a reposição de eletrólitos, especialmente potássio.

Por que o anion GAP é importante no manejo da CAD?

O anion GAP é um indicador da presença de ácidos não mensuráveis, como os cetoácidos. Sua normalização é um critério essencial para a resolução da acidose metabólica na CAD, indicando que a produção de cetoácidos foi controlada.

Quando se deve adicionar glicose à infusão intravenosa na CAD?

Quando a glicemia atinge cerca de 200-250 mg/dL, deve-se adicionar glicose (ex: soro glicosado 5%) à infusão intravenosa, mantendo a insulina, para evitar hipoglicemia enquanto se continua a tratar a acidose e a cetonemia.

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