CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2020
Paciente de 40 anos de idade com carcinoma espinocelular de colo do útero visível no exame especular com cerca de 5cm, sangrante em pequena quantidade. A lesão compromete o colo e a vagina, até cerca de 2cm do introito. Não foi realizado toque vaginal por receio de aumentar o sangramento.Com essas informações, o tratamento inicial proposto deve ser?
Câncer de colo uterino > 4cm ou com invasão vaginal extensa → quimiorradioterapia concomitante é o tratamento inicial.
Em casos de carcinoma espinocelular de colo uterino com lesões volumosas (maiores que 4 cm) ou com extensão para o terço inferior da vagina, a cirurgia primária não é a abordagem inicial. O tratamento padrão é a quimiorradioterapia concomitante, que oferece melhores resultados em termos de controle local e sobrevida para esses estágios mais avançados da doença.
O carcinoma espinocelular de colo uterino é uma das neoplasias ginecológicas mais comuns, e a escolha do tratamento depende fundamentalmente do estadiamento clínico, que é guiado pela classificação FIGO. A avaliação da extensão do tumor, incluindo seu tamanho e o comprometimento de estruturas adjacentes como a vagina e os paramétrios, é crucial para definir a melhor abordagem terapêutica. Lesões volumosas, geralmente maiores que 4 cm, ou com extensão significativa para a vagina (atingindo o terço inferior), são consideradas localmente avançadas. Nesses casos, a cirurgia primária, como a histerectomia radical (Wertheim-Meigs), que é indicada para estágios iniciais (IA1 a IB2), não é a opção de tratamento inicial mais eficaz. A fisiopatologia da doença em estágios avançados envolve a disseminação local e regional, com maior risco de metástases linfonodais e invasão de estruturas pélvicas. O diagnóstico é feito por biópsia da lesão visível. O estadiamento clínico é complementado por exames de imagem como ressonância magnética da pelve e tomografia computadorizada para avaliar a extensão da doença e a presença de metástases à distância. Para pacientes com carcinoma de colo uterino localmente avançado, o tratamento padrão-ouro é a quimiorradioterapia concomitante. Esta abordagem combina radioterapia externa com quimioterapia à base de cisplatina, que atua como radiossensibilizador, potencializando o efeito da radiação. A quimiorradioterapia oferece um melhor controle local da doença e uma maior taxa de sobrevida em comparação com a radioterapia isolada ou a cirurgia em estágios avançados. A cirurgia pode ser considerada em casos selecionados após a quimiorradioterapia (cirurgia de resgate), mas não como tratamento inicial. A histerectomia total abdominal e a traquelectomia (remoção do colo uterino, preservando o útero) são procedimentos cirúrgicos com indicações específicas, sendo a traquelectomia reservada para mulheres jovens com câncer de colo em estágio inicial que desejam preservar a fertilidade. O prognóstico está diretamente relacionado ao estágio da doença e à resposta ao tratamento, ressaltando a importância de um estadiamento preciso e da escolha terapêutica adequada.
A quimiorradioterapia concomitante é o tratamento inicial padrão para câncer de colo uterino em estágios localmente avançados, como tumores maiores que 4 cm, com invasão paramétrial, comprometimento do terço inferior da vagina ou metástases linfonodais pélvicas.
A cirurgia de Wertheim-Meigs (histerectomia radical com linfadenectomia pélvica) é indicada principalmente para estágios iniciais do câncer de colo uterino (IA1 com invasão estromal, IA2, IB1 e IB2), onde o tumor é menor e não há evidência de invasão paramétrial ou metástases à distância.
O tamanho do tumor é um fator prognóstico e de estadiamento crucial. Tumores menores que 4 cm (Estágio IB1/IB2) podem ser tratados com cirurgia ou quimiorradioterapia. Tumores maiores que 4 cm (Estágio IIA2 ou superior, dependendo da extensão) geralmente requerem quimiorradioterapia como tratamento inicial devido ao maior risco de doença residual e metástases linfonodais.
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