UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025
A bronquiolite viral aguda é uma das principais causas de internação em lactentes. Sobre as bronquiolites, é correto afirmar:
Bronquiolite viral aguda em lactentes = tratamento de suporte (hidratação, aspiração nasal, oxigênio se SatO2 <90-92%); outras medicações não são recomendadas.
O tratamento da bronquiolite viral aguda é fundamentalmente de suporte, focando em garantir hidratação e oxigenação adequadas. Terapias farmacológicas como broncodilatadores, corticoides e antibióticos não demonstraram benefício consistente e não são recomendadas rotineiramente pelas principais diretrizes.
A bronquiolite viral aguda (BVA) é a infecção do trato respiratório inferior mais comum em lactentes, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. A doença afeta principalmente crianças menores de 2 anos e é a principal causa de hospitalização nessa faixa etária. A sua apresentação clínica clássica inclui pródromos de infecção de vias aéreas superiores seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e esforço respiratório. A fisiopatologia da BVA envolve inflamação, edema e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando à obstrução das pequenas vias aéreas por muco e debris celulares. Diferentemente da asma, o broncoespasmo não é o componente principal da obstrução. Por essa razão, terapias direcionadas ao relaxamento da musculatura lisa brônquica ou à redução da inflamação alérgica não se mostraram eficazes. O pilar do tratamento da BVA é o suporte clínico. As medidas mais importantes são garantir a hidratação (oral ou intravenosa, se necessário), manter a permeabilidade das vias aéreas superiores com lavagem e aspiração nasal, e fornecer oxigênio suplementar para manter a saturação acima de 90-92%. Extensas revisões sistemáticas e diretrizes de sociedades pediátricas internacionais e brasileiras não recomendam o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides, anticolinérgicos ou antibióticos, pois não alteram o curso da doença nem reduzem o tempo de internação.
Sinais de gravidade incluem taquipneia intensa, uso de musculatura acessória (tiragem subcostal, intercostal, de fúrcula), batimento de asa de nariz, gemência, cianose, pausas respiratórias (apneia) e recusa alimentar com sinais de desidratação. A saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 90-92% é um critério para internação.
A conduta baseia-se em medidas de suporte: manter vias aéreas pérvias com lavagem e aspiração nasal, garantir hidratação adequada e ofertar oxigênio suplementar se houver hipoxemia. Um teste terapêutico com broncodilatador pode ser considerado em casos selecionados, mas deve ser descontinuado se não houver resposta clínica clara.
O Palivizumabe não é para tratamento, mas para profilaxia em grupos de alto risco. As indicações do Ministério da Saúde incluem prematuros <29 semanas no primeiro ano de vida, crianças <2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou com cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica.
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