Bronquiolite Viral Aguda: O Que Fazer e Não Fazer

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

A bronquiolite viral aguda é uma das principais causas de internação em lactentes. Sobre as bronquiolites, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O uso do anticorpo monoclonal humanizado para o vírus sincicial respiratório é indicado, para todas as crianças até 1 ano de idade, pelo Ministério da Saúde.
  2. B) O tratamento é baseado no uso de broncodilatadores inalatórios.
  3. C) O uso de antibióticos, broncodilatadores, anticolinérgicos e corticoides não é recomendado.
  4. D) A radiografia simples de tórax confirma o diagnóstico.
  5. E) A azitromicina tem se mostrado eficaz, quando iniciada até o 5° dia de sintomas.

Pérola Clínica

Bronquiolite viral aguda em lactentes = tratamento de suporte (hidratação, aspiração nasal, oxigênio se SatO2 <90-92%); outras medicações não são recomendadas.

Resumo-Chave

O tratamento da bronquiolite viral aguda é fundamentalmente de suporte, focando em garantir hidratação e oxigenação adequadas. Terapias farmacológicas como broncodilatadores, corticoides e antibióticos não demonstraram benefício consistente e não são recomendadas rotineiramente pelas principais diretrizes.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda (BVA) é a infecção do trato respiratório inferior mais comum em lactentes, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. A doença afeta principalmente crianças menores de 2 anos e é a principal causa de hospitalização nessa faixa etária. A sua apresentação clínica clássica inclui pródromos de infecção de vias aéreas superiores seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e esforço respiratório. A fisiopatologia da BVA envolve inflamação, edema e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando à obstrução das pequenas vias aéreas por muco e debris celulares. Diferentemente da asma, o broncoespasmo não é o componente principal da obstrução. Por essa razão, terapias direcionadas ao relaxamento da musculatura lisa brônquica ou à redução da inflamação alérgica não se mostraram eficazes. O pilar do tratamento da BVA é o suporte clínico. As medidas mais importantes são garantir a hidratação (oral ou intravenosa, se necessário), manter a permeabilidade das vias aéreas superiores com lavagem e aspiração nasal, e fornecer oxigênio suplementar para manter a saturação acima de 90-92%. Extensas revisões sistemáticas e diretrizes de sociedades pediátricas internacionais e brasileiras não recomendam o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides, anticolinérgicos ou antibióticos, pois não alteram o curso da doença nem reduzem o tempo de internação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de gravidade na bronquiolite viral aguda?

Sinais de gravidade incluem taquipneia intensa, uso de musculatura acessória (tiragem subcostal, intercostal, de fúrcula), batimento de asa de nariz, gemência, cianose, pausas respiratórias (apneia) e recusa alimentar com sinais de desidratação. A saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 90-92% é um critério para internação.

Qual a conduta correta para um lactente com bronquiolite e sibilância?

A conduta baseia-se em medidas de suporte: manter vias aéreas pérvias com lavagem e aspiração nasal, garantir hidratação adequada e ofertar oxigênio suplementar se houver hipoxemia. Um teste terapêutico com broncodilatador pode ser considerado em casos selecionados, mas deve ser descontinuado se não houver resposta clínica clara.

Quando o anticorpo monoclonal (Palivizumabe) é indicado para prevenção do VSR?

O Palivizumabe não é para tratamento, mas para profilaxia em grupos de alto risco. As indicações do Ministério da Saúde incluem prematuros <29 semanas no primeiro ano de vida, crianças <2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou com cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica.

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