ENARE/ENAMED — Prova 2023
Uma mulher de 53 anos vem ao ambulatório de uroginecologia referindo perda urinária. Possui histórico de 5 partos via vaginal e apresenta menopausa há 7 anos, sem terapia de reposição hormonal. No exame físico ginecológico, apresenta prolapso de parede anterior grau 1, sem perda urinária à valsalva. Apresenta resultado de estudo urodinâmico que revelou a presença de contrações não inibidas do músculo detrusor como único achado. Nesse caso, a abordagem terapêutica inicial é
Urodinâmica com contrações detrusoras não inibidas → Bexiga Hiperativa = Tratamento comportamental ± anticolinérgicos.
O estudo urodinâmico confirmou a presença de contrações não inibidas do detrusor, caracterizando a bexiga hiperativa (BH). O prolapso grau 1 sem perda à valsalva não é a causa da queixa principal. Portanto, a abordagem inicial é conservadora, focando na BH.
A bexiga hiperativa (BH) é uma condição comum, especialmente em mulheres multíparas e pós-menopausa, caracterizada por urgência miccional, com ou sem incontinência, frequência e noctúria. O estudo urodinâmico, ao revelar contrações não inibidas do detrusor, confirma o diagnóstico de BH e direciona a conduta. É fundamental para o residente diferenciar a incontinência de urgência da de esforço, pois o tratamento é distinto. Neste caso, a paciente apresenta perda urinária por contrações não inibidas do detrusor, o que configura incontinência urinária de urgência. O prolapso de parede anterior grau 1, sem perda urinária à valsalva, não é a causa da queixa principal e, portanto, não requer intervenção cirúrgica imediata para a incontinência. A menopausa pode agravar os sintomas, mas a disfunção detrusora é o foco. A abordagem terapêutica inicial para a bexiga hiperativa é sempre conservadora. Isso inclui tratamento comportamental, como treinamento vesical, controle da ingestão de líquidos e exercícios do assoalho pélvico. Se essas medidas não forem suficientes, a associação de anticolinérgicos (ou agonistas beta-3) é a próxima etapa. A cirurgia é reservada para casos refratários ou para incontinência de esforço, que não é o quadro principal aqui.
Significa que o músculo detrusor da bexiga se contrai involuntariamente durante a fase de enchimento, mesmo quando a bexiga não está cheia. Este achado é patognomônico da bexiga hiperativa e da incontinência urinária de urgência, indicando uma disfunção no controle da micção.
O tratamento comportamental é a primeira linha e a base do manejo da bexiga hiperativa. Inclui treinamento vesical (aumentar intervalos entre as micções), controle da ingestão de líquidos, modificação da dieta (evitar irritantes vesicais como cafeína) e exercícios do assoalho pélvico. É eficaz e minimamente invasivo.
A terapia de reposição hormonal (TRH) sistêmica não é a primeira linha para incontinência urinária. Estrogênio tópico vaginal pode ser benéfico para sintomas de atrofia urogenital que contribuem para a incontinência, mas não trata diretamente a disfunção do detrusor como a bexiga hiperativa.
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