SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020
Ascite, que corresponde ao acúmulo de líquido na cavidade peritoneal, é um sinal clínico relativamente frequente na prática clínica, e pode ser desenvolver através de diferentes mecanismos fisiopatológicos. Na enfermaria de clínica médica de um hospital, durante a visita médica, o Sr Rubens, 67 anos, etilista de longa data, informou aumento do volume abdominal nas últimas semanas. Há dois dias, Rubens passou a apresentar dor abdominal, náuseas e episódios de desorientação temporal. Sobre o quadro acima, assinale a alternativa correta:
Ascite cirrótica: Tto inicial = restrição de sódio + espironolactona/furosemida. GASA >1.1 = hipertensão portal. PBE = PMN >250.
O paciente, etilista crônico com ascite, provavelmente tem cirrose hepática. O tratamento inicial da ascite cirrótica envolve restrição de sódio e uso de diuréticos, tipicamente uma combinação de espironolactona e furosemida. A paracentese diagnóstica é fundamental para determinar a etiologia da ascite e descartar complicações como a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE), que é definida por uma contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 células/mm³ no líquido ascítico. O GASA (Gradiente de Albumina Soro-Ascite) é crucial para diferenciar ascite por hipertensão portal (GASA ≥ 1.1 g/dL) de outras causas.
A ascite é uma complicação comum da cirrose hepática, frequentemente associada ao etilismo crônico. Seu manejo adequado é fundamental para prevenir complicações graves e melhorar a qualidade de vida do paciente. Residentes devem dominar o tratamento diurético, a interpretação do GASA para determinar a etiologia da ascite e, crucialmente, o diagnóstico e manejo da Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE), uma infecção grave que requer tratamento imediato. A desorientação temporal, como no caso, pode indicar encefalopatia hepática, outra complicação da cirrose que exige atenção. A paracentese diagnóstica é uma ferramenta indispensável na avaliação de pacientes com ascite.
O tratamento inicial da ascite causada por cirrose consiste em restrição rigorosa da ingestão de sódio (geralmente para 2 g/dia). Se a restrição de sódio for insuficiente, diuréticos orais são adicionados, tipicamente uma combinação de espironolactona (antagonista da aldosterona) e furosemida (diurético de alça) para otimizar a diurese e manter o balanço eletrolítico.
O GASA é calculado subtraindo a concentração de albumina no líquido ascítico da concentração de albumina sérica. Um GASA ≥ 1,1 g/dL indica que a ascite está relacionada à hipertensão portal (como na cirrose ou insuficiência cardíaca), enquanto um GASA < 1,1 g/dL sugere outras causas, como carcinomatose peritoneal, peritonite tuberculosa ou ascite pancreática.
A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é diagnosticada pela presença de uma contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, na ausência de uma fonte intra-abdominal de infecção cirúrgica. Sintomas como dor abdominal, febre e alteração do estado mental em pacientes com ascite devem levantar a suspeita de PBE.
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