Artrite Reumatoide: Tratamento Inicial com Metotrexato

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 35 anos, apresenta artrite reumatoide recém diagnosticada, com sintomas iniciados há pouco mais de 3 meses. Não há limitação funcional. A paciente faz uso de ibuprofeno 600 mg 3 vezes ao dia, com alívio dos sintomas Ao exame físico ela apresenta 5 articulações doloridas e 3 edemaciadas (em mãos e punhos]. Não há evidência de nódulos reumatoides ou de outras manifestações extra-articulares. O fator reumatoide dosado é de 42 (<14], e o anticorpo anti-CCP é negativo. Os exames de imagem (radiografias] não evidenciam erosões. A paciente deseja iniciar tratamento com imunobiológico, pois ouviu dizer que essas medicações é que controlam a doença. Qual seria a melhor opção terapêutica para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Iniciar anti-TNF, de preferência certolizumabe, pois a paciente está em idade reprodutiva e essa medicação é a que apresenta mais evidências de segurança fetal.
  2. B) Iniciar prednisona 5mg ao dia, associado a pregabalina 75 mg/noite, para melhorar o limiar de dor da paciente.
  3. C) Iniciar metotrexate 10 a 15 mg 1 vez por semana, com aumento subsequente até a dose de 25 mg/semana se a paciente não apresentar resposta adequada.
  4. D) Não há necessidade de medicação adicional
  5. E) Iniciar sulfato de condroitina 1,2 g ao dia, associado a colágeno UCII.

Pérola Clínica

AR recém-diagnosticada, sem erosões, FR positivo → Metotrexato é o DMARD de primeira linha.

Resumo-Chave

Em pacientes com artrite reumatoide recém-diagnosticada, sem sinais de doença agressiva (como erosões), o tratamento inicial de escolha é com um DMARD sintético convencional, sendo o metotrexato a primeira opção. Imunobiológicos são reservados para falha terapêutica ou doença mais grave.

Contexto Educacional

A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune, que afeta principalmente as articulações sinoviais, levando a dor, inchaço, rigidez e, se não tratada, à destruição articular e incapacidade funcional. O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são cruciais para prevenir danos irreversíveis. A epidemiologia mostra uma prevalência global de cerca de 0,5% a 1%, sendo mais comum em mulheres. A fisiopatologia da AR envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais que levam à ativação do sistema imune, com produção de citocinas pró-inflamatórias e autoanticorpos, como o fator reumatoide e o anti-CCP. O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e de imagem. A suspeita deve surgir em pacientes com artrite persistente em múltiplas articulações, especialmente mãos e pés, com rigidez matinal prolongada. O tratamento da AR visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas, prevenir o dano articular e melhorar a função. A abordagem inicial, especialmente em casos de doença precoce sem erosões, é com os DMARDs sintéticos convencionais, sendo o metotrexato a droga de escolha. A dose é geralmente iniciada baixa e titulada conforme a resposta e tolerância do paciente. O prognóstico melhorou significativamente com o advento dos DMARDs, mas a adesão ao tratamento e o monitoramento regular são essenciais.

Perguntas Frequentes

Quando os imunobiológicos são indicados no tratamento da artrite reumatoide?

Os imunobiológicos são geralmente indicados para pacientes com artrite reumatoide que não respondem adequadamente aos DMARDs sintéticos convencionais (como metotrexato) ou que apresentam doença grave e rapidamente progressiva com fatores de mau prognóstico.

Qual a importância do metotrexato como DMARD de primeira linha na AR?

O metotrexato é considerado o DMARD de primeira linha devido à sua eficácia comprovada em controlar a atividade da doença, prevenir a progressão do dano articular e melhorar a qualidade de vida, além de ter um perfil de segurança bem estabelecido e ser de baixo custo.

Quais exames são importantes para o diagnóstico e acompanhamento da artrite reumatoide?

Para o diagnóstico, são importantes o fator reumatoide, anticorpo anti-CCP, VHS e PCR. No acompanhamento, além desses, radiografias das articulações afetadas são cruciais para monitorar a progressão de erosões e danos articulares.

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